Precedentes e congressos canhotos!

Precedentes e congressos canhotos!

Os policias que subiram as escadas do Parlamento colocaram em causa a autoridade dos seus camaradas ali em serviço...

PSP-AR3Numa altura em que os portugueses ainda digeriam os golos de Cristiano Ronaldo, a manifestação de polícias em frente à Assembleia da República, esta quinta-feira, fez-nos voltar à realidade de um país triste, revoltado, com problemas profundos e graves, onde o apuramento para um Mundial de futebol já não consegue esconder a paz podre em termos laborais e sociais na qual vivemos.

Com as ruas em redor de São Bento preenchidas por elementos das forças de segurança nacionais, em manifestação contra as medidas do Governo relativas à actividade das mesmas, o País assistiu, através das televisões, ao ultrapassar por parte dos manifestantes de todos os cordões policiais ali normalmente colocados, esta noite como em quaisquer outras manifestações no passado. Os polícias que deveriam ter mantido a sua posição, perante os seus camaradas de armas do outro lado da barricada, “fecharam os olhos” à ilegalidade e permitiram que os polícias manifestantes chegassem à porta da Assembleia da República, porventura porque também aqueles que estavam ali em serviço comungavam das ideias dos manifestantes.

Permitir que os manifestantes das forças de segurança nacionais tivessem chegado à porta do Parlamento, porém, acaba por ser mais do que um simples “fechar de olhos”, tendo sido aberto um precedente grave junto à casa da Democracia nacional. Afinal, com que moral é que as forças de segurança vão querer, no futuro, obrigar os manifestantes, desta ou daquela área profissional, quando em frente ao Parlamento, a permanecerem no fundo da escadaria!?

Depois de, na passada terça-feira, um estudante ter sido detido após furar o cordão policial e subido as escadas da Assembleia da República, relativamente ao qual não sei se terá sido punido por isso, ou simplesmente presente a algum Juiz, impunha-se hoje outra atitude, quer de quem subiu, que colocou em causa a autoridade dos seus camaradas em serviço, quer também de quem deixou subir, que amanhã não terá moralidade para dizer a um professor, a um desempregado ou a um idoso reformado que não poderá subir aquelas mesmas escadas.

Entretanto, enquanto à porta da Casa da Democracia que deverá ser a Assembleia da República polícias confraternizavam com polícias, na Aula Magna, a Casa da Educação, um “Congresso da Esquerda”, "em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social", permitia verdadeiros apelos à insurreição e à violência. Mário Soares, antigo Presidente da República, num discurso inflamado, começava por avisar que “é preciso ter a consciência de que a violência está à porta", esquecendo que tem sido ele mesmo, Mário Soares, quem nos últimos tempos tem assumido posições mais “incendiárias”. Como é que alguém, que já foi Presidente da República, pode dizer que o Governo e o Presidente da República se devem demitir e ir para casa "enquanto podem ir pelo seu próprio pé"!? Se isto não é instigar à violência é o quê!?

A idade (e para muitos a senilidade) não justifica tudo nem pode levar a que se perdoe tudo, e pedir a demissão daqueles que chegaram ao poder pela legitimidade democrática das eleições, sob pena a que os mesmos não possam suster a violência, a tal violência que “está à porta”, é esquecer o combate democrático e apostar na guerrilha de pressão, para conseguir na rua o que não se conseguiu nas urnas.

Sendo certo que os que estão no poder não estarão a agir bem, estarão mesmo a aplicar medidas que não prometeram durante a campanha eleitoral, algumas medidas até que negaram que alguma vez tomariam, também é certo que Passos Coelho e Cavaco foram eleitos pelos portugueses, da mesma forma que foram também os portugueses que, no passado, colocaram Mário Soares em Belém ou José Sócrates em São Bento! E terão os governantes do passado cumprido sempre (ou alguma vez) os programas eleitorais que os levou ao poder!?

Os portugueses votam, até porque votar é fixe, e depois queixam-se!

JorgeReis

Jorge Reis

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