10 de Junho: Cavaco apela ao compromisso
Hoje é Sexta-Feira, 23 de Fevereiro de 2018

10 de Junho: Cavaco apela ao compromisso

O Presidente da República diz que “pós-troika” obriga País a estar preparado para novos desafios sem repetir os erros do passado

pr.guarda1Com um discurso de apelo ao compromisso e em 2014, o ano em que foi conquistado o “direito a ter esperança”, o Presidente da República considera que o “pós-troika”

obriga o País a estar preparado para novos desafios sem repetir os erros do passado. Na cerimónia solene do Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas, na Guarda, Cavaco Silva da política e da economia ao serviço das pessoas, dos reformados, dos desempregados e dos jovens.

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“A política e a economia existem em função das pessoas, da sua dignidade e da melhoria das suas condições de vida”, disse, depois de realçar que “Portugal não pode desperdiçar a experiência de uma geração inteira”. Sobre o desemprego, o Chefe de Estado falou de valores “ainda a um nível socialmente insustentável”, apesar de estar a descer desde há um ano.

Na Guarda, num dia que começou mal – O PR sentiu-se mal durante o discurso nas cerimónias militares, interrompidas durante cerca de 30 minutos -, Cavaco Silva recordou o “caminho duro” já percorrido e os tempos “muito difíceis” até à conclusão do programa de assistência financeira em Maio e apelou à vigilância na disciplina das contas públicas e no controlo do endividamento externo. Defendeu ainda a necessidade de "preservar e melhorar" o Serviço Nacional de Saúde.

O discurso:

» Neste ano de 2014, conquistámos o direito a ter esperança. Portugal cumpriu as obrigações que assumiu em maio de 2011 perante as entidades internacionais que nos concederam os empréstimos necessários ao financiamento do Estado e da economia. O programa de assistência financeira foi concluído no passado mês de maio. Numa conjuntura internacional adversa, tínhamos chegado a um ponto em que não era mais possível iludir o inadiável. Vivemos uma situação de emergência nacional, que exigiu dos Portugueses um extraordinário sentido de responsabilidade.

» Entrámos numa nova fase da vida nacional, que designei de «pós-troika», chamando a atenção para a necessidade de estarmos preparados para os novos desafios que temos diante de nós.

» As incertezas que pairaram sobre a nossa economia estão agora mais atenuadas. As taxas de juro pagas pela República e pelas empresas desceram significativamente. Há razões para ter esperança na recuperação do investimento. O relançamento económico da União Europeia, de longe o primeiro mercado das nossas exportações, encontra-se em curso de uma forma sustentada.

» Por outro lado, Portugal irá beneficiar, até 2020, de um montante bastante significativo de fundos europeus, que temos de ser capazes de aproveitar com a máxima eficiência, de modo a impulsionar o desenvolvimento económico e social do País. Mas não podemos esquecer que Portugal é uma economia aberta, que depende muito do exterior.

» Se todos têm direito à esperança, devemos atender em especial àqueles que sentem mais dificuldades em fazer ouvir a sua voz. Desde logo, os idosos, os reformados e pensionistas, aqueles que chegaram ao fim de uma vida de trabalho e têm o direito a uma existência digna. Portugueses que descontaram para os sistemas de proteção social cumprindo as leis da República e que não têm possibilidade de regressar à vida ativa e encontrar fontes alternativas de rendimento. Esses Portugueses têm o direito à esperança de voltar a ter as condições que lhes permitam viver para além da mera subsistência e de que sejam corrigidas algumas injustiças acumuladas durante o período de emergência. Temos também de trazer esperança àqueles que perderam os seus postos de trabalho, especialmente aos desempregados de longa duração, aos Portugueses que, pela sua idade ou pelo nível das suas qualificações, enfrentam maiores dificuldades de retorno ao mercado de trabalho. Portugal não pode desperdiçar a experiência de uma geração inteira (…) A política e a economia existem em função das pessoas, da sua dignidade e da melhoria das suas condições de vida.

» Os desafios que temos diante de nós, de todos nós, só podem ser vencidos através de uma cultura de compromisso. Adiar por mais tempo um entendimento partidário de médio prazo sobre uma trajetória de sustentabilidade da dívida pública e sobre as reformas indispensáveis ao reforço da competitividade da economia é um risco pelo qual os Portugueses poderão vir a pagar um preço muito elevado.

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