Karyna Gomes celebra a dobrar no Olga Cadaval
Hoje é Quinta-Feira, 19 de Outubro de 2017

Karyna Gomes celebra a dobrar no Olga Cadaval

Mulher guineense, "Mindjer" no dialecto daquele país e título do primeiro álbum agora revelado, Karyna pôde sorrir de forma franca

SAM 3487A sala vibra de energia. A família e os amigos estão presentes, há conversa, alegria e muita vontade de ouvir. O baterista deu ritmo ao calor existente e, às 21h30, Karyna Gomes entra em palco para cantar e celebrar. Dia 30 Janeiro comemora-se o Dia da Mulher Guineense e Karyna, no palco do Centro Cultural Olga Cadaval, veio tranquila e segura, de sorriso no rosto, para partilhar connosco o seu 1º álbum, intitulado "Mindjer" (Mulher).

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Karyna nasceu na Guiné-Bissau mas cresceu a ouvir música de todo o mundo e é nessas raízes que assenta o seu trabalho, assumidamente de fusão. Música urbana, cheia de referências e de padrões tradicionais, inspirada nas festas de quintal e cantada em crioulo, temperada com funk, soul e groove americano.

No tema "Sinal di Mindjer" vem o primeiro de vários tributos e homenagem a todas as mulheres, sobretudo às de Guiné-Bissau, pela sua capacidade de assumir diferentes papéis, funções e profissões.  Karyna é acompanhada por Ibrahima Galissa, músico guineense virtuoso da Korá, que dá um sabor exótico à música e nos leva em viagem no seu dedilhado.

"Pó Ka Ta Bida Lagarto" é um tema das já faladas influências e referências do seu próprio país, pelo qual respira orgulho ao falar. Diz-nos que "ainda falta a segunda parte", pois a liberdade ainda não é uma constante... Talvez não seja por acaso que o convidado especial deste tema é Remna Schwarz, filho de José Carlos Schwarz, um dos autores deste e de outros temas do disco "Mindjer". Remna entra a dançar, embalado pelo som dos músicos e das palmas de um público que o conhece bem.

A segunda convidada especial desta noite é outra mulher, com tanto de jovem como de talento. Jessica Pina toca trompete e ainda haveria de acompanhar Karyna em mais dois temas: "Mindjer e Mamé" e "Sintido".

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Há uma certa elegância na presença de Karyna que nos cativa, na maneira como divide o palco com os seus músicos e nos embala no calor da sua voz e do seu país. É nesta intimidade que volta a homenagear as mulheres, com seus defeitos e virtudes, revendo-se no sexo feminino enquanto ser visceral. "As mulheres são uma bênção", diz enquanto começa a tocar Tina. A Tina é um instrumento tradicional da Guiné, inventado... pelas mulheres. No compasso do batuque marcado pelo seu punho conseguimos sentir o que coloca na voz, de improviso, e o silêncio anterior da sala é rapidamente substituído pelas palmas do público, que acompanham o ritmo forte até ao fim. Karyna tem voz ativa no seu trabalho e claramente quer ter voz ativa no seu país.  Faz parte das "gentes de um país maravilhoso" e é com o fim deste improviso que faz um apelo aos jovens, às mulheres, a intervir em nome de e pela cidadania, até ao fim, contra o maior inimigo de todos: a passividade.

Quase a terminar, pergunto-me se será mesmo possível haver um concerto de música africana onde não se dance...? Felizmente não! Karyna começa e o público encara o movimento como mais um convite para se juntar à festa, pois é afinal de uma celebração dupla que se canta aqui hoje. É Dia da Mulher Guineense e é mais um dia de primeiro álbum de Karyna Gomes.

Nesta fase já ninguém está disposto a deixá-la ir embora e Karyna dá-nos o encore pedido, com todos os convidados no palco e toda a gente de pé na plateia. Um concerto de comemoração, feito com cabeça e coração, e o sorriso único de quem faz aquilo que ama.

reportagem: Marta Costa

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