Fado Lelé: façam barulho que se vai cantar o fado!

Fado Lelé: façam barulho que se vai cantar o fado!

No Cine-Teatro D. João V, o Fado conseguiu uniões tão perfeitas quando improváveis com outros ritmos e sons

JC 43128O cineteatro D. João V na Damaia foi, no passado dia 21 de Maio, palco de mais um genial concerto por parte do grupo Fado Lelé, que nos presenteou com um eletrizante espetáculo onde tão bem demonstrou a paixão dos seus elementos pela tradição portuguesa do fado, unindo-o aos ritmos dançantes que caracterizam o grupo, como o samba, o jazz manouche e até o rockabilly.

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Infelizmente a sala do cineteatro não estava totalmente preenchida, o que não constituiu problema para os Fado Lelé que, durante duas horas, trouxeram grande animação ao público presente, que não resistiu à voz de Ana Castelo, ao ukelele de Miguel Castro, à bateria de Zé Barba, ao baixo de Zeca Neves e ao Bandolim de Filipe Silva e que, juntamente com eles, cantarolou as letras tão conhecidas do fado português.

Durante o concerto ouviram-se temas de grandes nomes do fado como a “Tendinha” de Hermínia Silva, tema este que deu origem à primeira demo do grupo gravada em 2014, “Uma casa portuguesa”, “Nem as paredes confesso” e “A casa da Mariquinhas”, temas com versões originais pertencentes à grande Amália Rodrigues que tiveram destaque nesta grande noite dos Fado Lelé. Para além dos magníficos arranjos instrumentais dos fados tradicionais a que o grupo se dedica desde a sua criação em 2011, Fado Lelé aventura-se agora pelo mundo da escrita original e lançaram recentemente, em 2016, o seu primeiro tema intitulado “Amor Limão”, um tema com uma letra muito brincalhona que segundo o grupo retrata as queixas de uma esposa nos dias de hoje. “Amor limão” foi tocado no alinhamento principal, onde o público entusiasmado foi acompanhando apesar de ser uma novidade e merecer encore.

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Após o concerto e em conversa com a vocalista Ana Castelo, que se juntou ao grupo em 2013, percebemos que os maiores desafios que o grupo enfrenta são os “adamastores” do fado, nomes como Amália Rodrigues, Carlos do Carmo e Hermínia Silva, cujos fados são sobejamente conhecidos e nunca cairão no esquecimento, podem tornar se um obstáculo à aceitação destes novos arranjos do grupo. Mas os Fado Lelé acreditam que a liberdade que tomaram ao fazer as suas versões destes clássicos é na realidade a melhor forma de os homenagear, fundindo assim o seu amor pelos temas originais com os sons e ritmos que mais gostam, tornando o fado um pouco mais atrativo e original, mantendo a essência do mesmo.

Em palco este grupo apresenta-se como uma grande família, sem medo de interagir e de mostrar que amam o que fazem. Cativantes, energéticos, divertidos e apaixonados são alguns dos adjetivos que melhor descrevem este inovador projeto que são os Fado Lelé que, se você que está a ler este texto tiver oportunidade de assistir à sua prestação, recomendamos vivamente que não deixe de os ver. Certamente que não dará o tempo por perdido.

texto: Margarida Adaixo
fotos: Jorge T. Carmona

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