Kendrick Lamar fechou SBSR com chave de ouro

Kendrick Lamar fechou SBSR com chave de ouro

Com o MEO Arena lotado para ouvir este rapper norte-americano, o Super Bock Super Rock dificilmente poderia ter melhor encerramento

JC 49609Chegou ao fim mais uma edição do Festival Super Bock Super Rock, terminando da melhor maneira com os bilhetes diários esgotados e com grandes nomes para o melhor fecho dos diversos palcos . No Parque das Nações, para um dia em que esgotaram os bilhetes diários e os festivaleiros chegaram ao recinto mais perto da hora de abertura de portas, pudemos finalmente assistir a maiores filas e ansiedade no portão principal do festival. Os nomes em cartaz prometiam boa música e melhor espectáculo e, no final do dia, quem deixou o espaço so SBSR celebrou certamente este dia de excelente música e verdadeiro ambiente festivaleiro.

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O sol e o calor que se sentiram no recinto continuaram a marcar a tarde mas nem isso afastou o público do recinto onde queriam ver nomes como Orelha Negra, Capicua, De la Soul, GNR e Kendrick Lamar. Enquanto esperaram por aqueles artistas, que se apresentariam mais perto das 21 horas, os festivaleiros sentaram-se perto do palcos Antena 3 e EDP para ouvir The Parrot ou Slow J. Descontraíram, pouparam energias e prepararam-se para vibrar com os grandes concertos. Com Kelela, Mike el Nite e Fidlar houve a oportunidade de treinar alguns movimentos e aquecer o corpo para a noite que se antevia longa e poucas foram as pessoas que ficaram sentadas.

De pano subido começou o espectáculo dos Orelha Negra com o autêntico jogo de sombras. Pouco se via da banda em palco sem ser silhuetas com instrumentos, desta que foi a única banda portuguesa a subir ao palco principal do Super Bock. O público não reagiu muito ao espectáculo enquanto o pano esteve subido, mas assim que caiu foi visível o ambiente de festa no Meo Arena quase cheio. “Parte de mim” é o novo single dos Orelha Negra e foi apresentado nesta noite a um público que cantava e dançava o mais que podia.

Outra voz a cantar em português no palco EDP foi a rapper Capicua que, em termos de público, sofreu com as sobreposições horários pois o seu concerto decorreu em simultâneo ao dos Orelha Negra. De qualquer forma, o empenho e amor que transmitiu ao público foram inigualáveis. Imparável em palco e a interagir com o público a cada segundo, Capicua cantou temas como Sereia e Medusa, sempre com Vítor a fazer ilustrações dos temas das canções ao vivo, o que cativou imenso o público.

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Foi com a sua característica pronúncia do norte que agradeceu várias vezes ao público pelo amor que sentia em palco. MC Capicua inspira-se nos problemas do mundo como a liberdade, a paz ou a discriminação de género e foi com este último tema que cantou “Maria Capaz” com mais algumas grandes mulheres como M7 e Blaya. Assim que o concerto de orelha negra terminou houve uma enchente de festivaleiros junto ao Palco Edp para verem o que podiam de Capicua, sem dúvida um dos momentos imperdíveis.

Nesta noite, o hip-hop invadiu alguns palcos e o palco Super Bock foi um deles, com a actuação do grupo americano De La Soul. Tal como as suas letras o concerto foi muito bem-humorado sem um único momento para o público descansar de tanto vibrar com as batidas e letras do hip-hop de De La Soul. Era no entanto a música portuguesa que aparecia ainda assim em destaque, embora uma vez mais com a banda portuguesa a ver o seu concerto sobreposto a um grupo do palco principal. Falamos dos GNR que actuaram no palco EDP transportando o seu disco Psicopátria que celebra 30 anos desde o seu lançamento. Tocado na íntegra para a euforia dos fãs mais conhecedores do trabalho da banda, que mostraram saber bem as letras dos temas, permitiu a Rui Reininho tempo para exibir em palco os dotes de bailarino, com muito do público a seguir os passos e a gritar pelo seu “Rei”. Um óptimo concerto perfeito para reavivar memórias e juntar aos bons dias de festival.

O Super Bock Super Rock estava por esta altura cada vez mais perto do final mas faltava o grande nome que viria a marcar esta edição de 2016: Kendrick Lamar.

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E a verdade é que não há palavras para descrever o brilhante concerto que Kendrick Lamar permitiu no palco do MEO Arena. Recebido por um público delirante e sem dúvida o mais numeroso nos três dias de festival, Kendrick pôde viver momentos mais pessoais, como aquele em que recebeu a visita de um fã bem especial nos bastidores, o campeão europeu de futebol Renato Sanches que lhe ofereceu uma camisola do Benfica acabando por assistir ao concerto de Lamar a partir de um camarote.

Assim que as luzes se apagaram no MEO Arena, os gritos da multidão foram ensurdecedores e com certeza impressionaram o rapper americano que ao início do concerto guardou um momento para ver todo o público que o acarinhava. No seu rosto, notou-se a emoção sentida por Kendrick Lamar que teve todo o seu concerto praticamente cantado pelos fãs que, de uma maneira impressionante, mostraram saber todo o repertório, nomeadamente temas como “Bitch, don’t kill my vibe” , “Levitate”, “Complexion” ou “Homies”, que não ficaram esquecidos e levaram os festivaleiros ao rubro.

Kendrick Lamar foi sem duvida a melhor pessoa para fechar esta edição do festival, capaz de agarrar o publico do inicio ao fim e superar todas as expectativas.

Terminou assim a 22ª edição do festival Super Bock Super Rock que começou um pouco "lenta" na adesão do público, com alguns problemas de atrasos nos palcos e aparentemente com menos adesão comparativamente a outros anos. Todavia, no último dia todos os problemas foram resolvidos, acabando por se sentir verdadeiramente o ambiente de festival, com massas de gente a correr de concerto em concerto para verem os artistas mais desejados. Restará agora aguardar para conhecer o cartaz do próximo ano e esperar que seja tão bom ou melhor que o deste ano, para mais um vez se dar nova vida ao Parque da Nações com uma nova edição do festival Super Bock Super Rock. Até lá...

texto: Margarida Adaixo
fotos: Jorge T. Carmona

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