Cheira a vindimas em Arruda dos Vinhos

Cheira a vindimas em Arruda dos Vinhos

Com o fim do Verão e o início do Outono chega a época das vindimas, uma altura em que a azáfama tem um cheiro rosado ao néctar das vinhas

terça, 04 outubro 2016

IMG 9235 1Quem por esta altura percorre as estradas em redor de Arruda dos Vinhos facilmente se cruza com veículos agrícolas carregados de uvas, presença normal em tempo de vindimas que marcam a realidade de Arruda dos Vinhos em mais um arranque do Outono. As uvas estão prontas para serem colhidas das cepas, num trabalho de festa e convívio, realizado com o intuito de se produzir depois o vinho de mais ano.

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Em Arruda dos Vinhos, vila situada na zona oeste da região de Lisboa e Vale do Tejo, as vindimas são uma realidade sazonal que requerem um trabalho de esforço, muitas vezes ao calor do sol que teima em ficar quando o verão já partiu há muito. O dia começa com o corte da uva no meio das extensas vinhas.

Ao longo do dia de vindima, chegam as horas de repasto, em que se partilha uma refeição, e após mais um dia no campo a pisa da uva aparece como a etapa final, uma verdadeira festa nos lagares onde se inicia o processo de transformação da uva no delicioso néctar: o vinho que em Arruda dá mesmo o complemento necessário ao nome da terra.

Este processo das vindimas tem-se modificado ao longo dos tempos e poderemos mesmo dizer que já nada é o que era... ou quase. Muito do trabalho manual é hoje substituído por máquinas que apanham directamente na vinha as uvas, depois o veículos de tracção animal deixaram há muito de circular, trocados por tratores que transportam as uvas para as adegas.

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Fomos assim ao encontro desta realidade em Arruda dos Vinhos, a apenas meia-hora de Lisboa com o Tejo do outro lado da encosta, mas com uma realidade muito própria, muito mais distante do que a separação física do rebuliço citadino que afinal não está tão longe assim.

Saindo de Arruda dos Vinhos, bem em frente à Câmara Municipal onde o centro de uma rotunda é preenchida com uma homenagem aos que entregam o seu tempo por esta altura às vindimas, tomamos a direção das Cardosas até encontrarmos a Quinta da Marinheira, um dos ícones da tradição vinícola nesta região onde, durante a vindima, é vivido um ambiente único.

A dedicação e o esforço depositados em cada trabalho realizado no interior do espaço da Quinta da Marinheira é uma experiência muito enriquecedora e uma memória para a vida. Ao longo de cerca de 25 hectares de vinhas, com uva de mesa mas também uva para vinho, estende-se um espaço que contém quase um século de tradição e de trabalho, factores desde sempre determinante na preservação da qualidade e do bom nome desta casa.

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Por entre as vinhas, a vida é deixada fluir de um modo quase "puro", em velocidade mínima, como se a influência humana quisesse apenas fazer-se sentir nos valores apenas indispensáveis. Alguns gamos ali criados fazem as delícias dos mais pequenos para um espaço em que por esta altura a brisa transporta o tal odor rosado em tons de jasmim reforçado à passagens das uvas apanhadas das vinhas.

Afinal no coração de Arruda dos Vinhos, nomeadamente na freguesia e no concelho do mesmo nome, esta Quinta da Marinheira, que dá o seu nome à Sociedade Agrícola ali existente em termos comerciais, revela-se como um local a visitar entre outros que conseguimos encontrar em Arruda dos Vinhos, vila localizada num vale ameno, com solos férteis e cursos de água, provavelmente fundada enquanto povoação, ou pelo menos tenha ganho dimensão durante a conquista muçulmana. Esta hipótese ganha força se nos lembrarmos que resta ainda no mapa das ruas desta vila uma rua com o nome "Rua da Costa do Castelo", na zona mais alta da vila, o que pode evidenciar a existência de um castelo ou forte senhorial.

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Hoje, a vila de Arruda dos Vinhos caracteriza-se por uma actividade marcadamente agrícola, em particular na área vitivinícola, embora conte já com um um tecido empresarial composto por algumas indústrias com expressão, como a metalúrgica Luso-Italiana, a Ar-Líquido, o grupo Vendap ou a Movex, entre outras.

As vindimas, cuja participação de qualquer um de nós é sempre possível, surgem assim como um momento económico, mas também social e cultural de inegável importância que, porque Arruda dos Vinhos se encontra a apenas meia-hora da capital, pode e deve esta vila ser visitada mais de perto, as suas tradições, as suas paisagens douradas nesta época do anoou até mesmo a sua gastronomia, para que se possa desfrutar de tudo o que há de bom nesta região. Pelo meio, por entre os passeios nas vinhas que povoam este verdadeiro "Vale Encantado", registe em imagem a realidade de extrema riqueza paisagística para que possa ver, rever, e partilhar com os seus amigos!

reportagem: Glória Resende e Tito Sousa

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