Lisboa saudou a APCL em noite solidária

Lisboa saudou a APCL em noite solidária

A Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa (APCL) esgotou o Teatro Armando Cortez em gala de beneficência

JC 53067Integrar os portadores de paralisia cerebral na sociedade civil é um dos propósitos da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa (APCL), entidade que realizou na passada segunda-feira, 17, uma Gala de Solidariedade em redor das pessoas afectadas por aquela doença, pessoas que a APCL, criada em 1960 por familiares de pessoas afectadas procura apoiar no sentido de que possam ser garantidas as condições necessárias para as estimular e providenciar-lhes melhores condições de vida.

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Desde a sua fundação que esta associação defende a integração de pessoas portadoras de paralisia cerebral na sociedade civil, com trabalhos no âmbito da consciencialização da problemática e da eliminação do estigma, afirmando-as como sendo uma mais-valia quando correctamente compreendidas. Afinal, apesar de não ser necessário estarmos ligados à APCL para darmos o nosso contributo na aceitação desta causa, todos nós podemos tornar-nos parte desta equipa associando-nos com uma inscrição disponível no sítio online da associação que poderá aceder aqui.

Relativamente a esta Gala de Solidariedade, o teatro Armando Cortez acabou assim por ser a sala escolhida para acolher um espectáculo organizado com o apoio de muitos, desde os que contribuíram para que o evento fosse possível, até aos que ali compareceram solidários com uma causa meritória. Com lotação esgotadíssima, o maestro Mário Rui deu início à gala, a solo, com uma peça de piano, como marcha para o que ali ia acontecer. Foi então que fomos recebidos por Carla Andrino e Sofia Nicholson, as anfitriãs da noite, notoriamente surpreendidas e gratas por verem uma casa tão cheia. Para além de alguns agradecimentos iniciais, frisaram o facto de a receita conseguida ir, na íntegra, para a APCL.

A primeira actuação da noite ficou a cargo dos The Guest, grupo vocal português em ascensão, que foram introduzidos com alguma promoção ao concerto de apresentação do novo álbum, que terá lugar dia 21 de Outubro no casino do Estoril, com entrada livre. A sua participação iniciou com “Il Mondo”, primeiro single do grupo, que é cantado em quatro línguas, nomeadamente português, espanhol, inglês e italiano, como hino à união. Em seguida, ouviu-se o tema “Olhos nos Olhos” e, por fim, “Mary, did you know”, que partilharam com a sua treinadora vocal Sandra de Andrade.

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Em seguida, Carla Andrino apresentou a Associação de Dança de Moscavide, referindo Trinita e Alexandra, professores e bailarinos que a atriz conheceu aquando a sua participação no “Dança Comigo”. O grupo actuou ao som de “Chim Chim Cher-ee”, transportando-nos para uma Londres de outros tempos.

Rumando a Cabo Verde, Lura, acompanhada pela orquestra de Mário Rui, encheu o palco entoando “Maria Di Lida”. Depois de uma curta pausa para agradecimentos, ouviu-se ainda “X da Questão”, ritmada pelas palmas da audiência. Por fim, Lura convida-nos, em tom de brincadeira, a acompanhá-la em crioulo cabo-verdiano no tema “Na Ri Na”, convite aceite com alguma reticência. Já depois de a cantora sair do palco, as apresentadoras pedem ao público uma repetição do refrão da música anterior, desta vez somente acompanhados pela orquestra, proposta tão bem sucedida que persuadiu Lura a voltar para “brincar” mais um pouco com o mesmo tema.

Paula Sá, a artista que se seguiu, foi apresentada com referência ao seu percurso no “Chuva de Estrelas”, realizado afinal já há 14 anos. De então para cá, Paula Sá construiu o seu espaço, assinou um trabalho que responde por si e pode agora ser encontrada muitas vezes no teatro Politeama, em musicais de Filipe La Féria. Repetente da Gala do ano passado, Paula Sá teve a seu cargo dois temas, nomeadamente “If I ain’t got you”, de Alicia Keys, e “Kiss”, de Prince, tendo pedido (e recebido) a colaboração do público para esta interpretação.

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Nesta fase, surgiu a Associação de Dança de Moscavide para um segundo momento, desta vez ao som de “Proud Mary”, com alguns elementos de lady styling e de swing.

A apresentação da penúltima artista da noite foi da responsabilidade de Sofia Nicholson, que lembrou ter conhecido Carla Pires por intermédio do seu pai, Francisco Nicholson, para quem foi uma das maiores ovações da noite. Iniciando a sua participação ao som de “Meu amor, Meu amor”, tema de Amália Rodrigues, Carla Pires presenteou-nos ainda com “Mãe Negra”, ao som da qual apresentou os seus músicos, e “Fado Varina”, este último com referência ao professor Moniz Pereira recentemente falecido.

Rumando a passos largos para o final da noite, houve ainda tempo para um agradecimento especial ao maestro Mário Rui pela sua grande colaboração em termos de produção musical de toda a cerimónia. O momento foi também aproveitado para explicar que não existiram muitos ensaios — para não dizer nenhuns —, fazendo-se referência a algumas falhas de microfones e som, as quais são completamente irrelevantes numa festa cujas intenções são particularmente nobres.

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A última presença em palco nesta noite de solidariedade foi de Ricardo Ribeiro, introduzido por Carla Andrino com a afirmação “se o fado tivesse um nome”. Na voz deste fadista, tempo para os temas “Verbo Amar”, “Olhos Estranhos” e “Fama de Alfama”, a fazer vibrar um público para quem o tempo parecia não passar de todo. Era, ainda assim, tempo de colocar um ponto final a esta Gala, com as apresentadoras da noite a chamarem ao palco muitas das pessoas que possibilitaram o acontecimento.

Entre as pessoas chamadas a palco, Carla Andrino apresentou Inês, utente da APCL, e a “grande responsável” pelo apadrinhamento da actriz em relação a esta causa, dando espaço para os últimos agradecimentos da noite. Em jeito de despedida, os artistas envolvidos na Gala juntam-se para cantar “That’s what friends are for”, de Dionne Warwick.

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O adeus à noite estava à beira de ser permitido mas antes houve ainda tempo para que o presidente da APCL, Orlando de Castro Borges, pudesse relembrar que o grande objectivo desta noite foi o de sensibilizar a sociedade civil para a problemática da paralisia cerebral. Pelo meio, Castro Borges teve ainda tempo para homenagear a dedicação de Carla Andrino, atribuindo-lhe a medalha de 50 anos de associada à APCL como gesto simbólico. Finalmente, a gala encerra com uma promessa: “Para o ano há mais!”

Entre os que foram deixando o teatro Armando Cortez ficou a certeza de que a importância de noites como esta assenta na afirmação de ideias de esperança e de união, para além de promover a aceitação da diferença. Mais do que uma Gala de Solidariedade, ficava para trás naquele momento uma celebração de amigos que lutam pelos mesmos ideais e que mostraram, saindo à rua, que não há mais espaço para estigmas. Felizmente, “para o ano há mais”, e uma vez mais lá estaremos por aqueles que merecem que não fiquemos em casa.

texto: Beatriz Correia
fotos: Jorge T. Carmona

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