Sonoridades em três actos com a Columna Flamenca
Hoje é Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017

Sonoridades em três actos com a Columna Flamenca

O palco do Teatro da Trindade recebeu um triptíco de sons mágicos em redor do Festival de Flamenco de Lisboa

IMGL5922Inserido no Festival de Flamenco de Lisboa, a Columna Flamenca permitiu esta sexta-feira no Teatro da Trindade, em Lisboa, um espectáculo de música, baile, ritmo e paixão com o qual encantou o público que encheu aquela bonita sala da capital.

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A arte da expressão corporal, a sensualidade dos movimentos, a força e a vida foram uma constante da 'bailaora' Aitana de los Reyes, com pouco mais de uma hora de encanto para quem degusta a música, o canto e a dança de origem e culturas cigana e mourisca, em tons particularmente populares pela Andaluzia em terras do sul de Espanha.

Criada em Lisboa no corrente ano de 2016 por artistas de várias nacionalidades ligados pelo ponto comum da paixão aos ritmos andaluzes, a Columna Flamenca transporta na sua essência a experimentação, intervenção, improvisação, baile, eletrónica, etiquetas superadas que deram lugar a um trabalho de flamenco "fondo" revisitado, num triptico intimista de baile flamenco.

Francisco Carvajal, produtor musical e teatral, natural de Madrid onde nasceu em 1948, apostou na "Columna Flamenca, uma coluna de oito pontos, consistente para que não se desfaça ao primeiro embate. "Vou criar dentro da nossa estrutura uma companhia que vá aos lugares onde nunca vamos, que vá aonde nunca vai o flamenco", pensou. E se bem o pensou melhor o fez, recorrendo a músicos portugueses, espanhois e marroquinos, estes últimos preparados com as suas "darbukas" para trabalhar o "trance sufi".

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"A busca da felicidade" — "La Rayuela” —, encenada por Francisco Carvajal, com direcção musical de Juantxin Osaba e concepção do espaço cénico de Sandra Battaglia, permite a primeira criação neste triptíco da Columna Flamenca, Corpo Sonoro, dividida em três actos, um trabalho com uma base filosófica de Cortázar.

A noite prosseguia no Teatro da Trindade e era agora tempo para encontrar Federico Garcia Lorca, porventura dentro de cada um dos que acompanhavam a partir da plateia este espectáculo, acreditando que Federico possa ser procurado com mais ou menos desespero no mais profundo de cada um de nós.

E porque outros sons surgem como inspiração deste "passeio" pelo Flamenco, também "Street Hassle", tema composto por Lou Reed em 1986, inspirado na peça de teatro "Lulu", de Frank Wedekind, permitiu nova dissertação em ritmos de Flamenco, uma "interpretação livre" dessa obra sinfónica de Lou Reed por "bulerías" — um dos palos flamencos mais festivos e um dos mais rápidos próprio para o baile —, com instrumentos marroquinos, "cajones" flamencos — caixa de som ou instrumento musical peruano adoptado um pouco por todo o mundo em redor dos sonos do flamenco —, sons gitanes e um violoncelista.

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Entre os nomes em destaque nesta mescla de sonoridades que permitiram uma noite ímpar de viagem pelos ritmos gitanes, nota para a participação de Bastian Blanco, na guitarra e percussão, Enrique Remache, no cante, e Martin Meléndez, no violoncelo, cujo estilo se deve ao gosto pelo improviso e uma mescla de influências: jazz, música cubana e flamenco.

Força, paixão, sensualidade, dinamismo e ritmo deram conta de uma música diferente que já em outros momentos trouxemos a este espaço e acompanhámos para o canal de Cultura do portal LusoNotícias, num espectáculo em que a cultura e tradição de uma música repleta de riqueza e envolvência como é o flamenco apaixonou o público que, no coração de Lisboa, na plateia do Teatro da Trindade, sem dúvida que gostou, aplaudiu de pé e deu conta da vontade de acompanhar sempre mais uma ou... una mas!

texto: Glória Resende
fotos: Tito de Sousa

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