Vodafone Mexefest deu luz, som e cor à Avenida

Vodafone Mexefest deu luz, som e cor à Avenida

Ao longo de dois dias, a maior artéria do coração da capital foi transformada por um festival repleto de surpresas e de animação

JC 55373Muita música, cor, animação e surpresas várias marcaram a sétima edição do Vodafone Mexefest, a 25 e 26 de Novembro, na Avenida da Liberdade, um evento claramente único e muito especial , desde logo devido ao facto de permitir diversos concertos a acontecerem em diferentes salas espalhadas em redor da Avenida da Liberdade, em Lisboa, recusando o plano "tradicional" de um concerto em um único recinto fechado. A partir das 18 horas, vários palcos — Cinema de São Jorge, Palácio Foz, Garagem da EPAL, Estação Ferroviária do Rossio, Sociedade de Geografia de Lisboa, Coliseu dos Recreios, Casa do Alentejo, Teatro Tivoli e o Cineteatro Capitólio, que voltou a abrir portas depois de estar fechado durante 20 anos — permitiram nestes dois dias uma animação claramente diferente, havendo ainda a registar, para além destes palcos, a particularidade de um concerto privado permitido por um autocarro que foi passando a cada hora.

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Com um cartaz muito variado no que diz respeito aos géneros musicais, este festival contou com vários músicos nacionais e internacionais, claramente de renome, como por exemplo a brasileira Elza Soares, ou ainda Mallu Magalhães, NAO, PZ, Taxiwars ou DJ Branko, entre outros. E por entre cada uma desta actuações, neste festival que se estendeu por dois dias, para além de se ouvir boa música era igualmente possível visitar locais emblemáticos da Avenida da Liberdade, algo que o canal de Cultura do portal LusoNotícias procurou fazer com várias repórteres em diferentes locais ao longo do evento para assim podermos sentir o pulso a um festival claramente diferente que começa a ganhar um estatuto ímpar e incontornável.

No primeiro dia, ao chegarmos ao Coliseu dos Recreios ouvia-se o rap da cantora Da Chick, acompanhada pelo DJ Moullinex na varanda do Coliseu. Este concerto fazia parte de uma iniciativa que a organização inseriu no festival este ano, o Vodafone Cuckoo, concertos exclusivos, pensados e adaptados para aquele local. No Coliseu, o público foi chegando à medida que se aproximava a hora do concerto da cantora NAO, que se fez anunciar em palco com o som de uma sirene o que provocou, desde logo, uma recepção eufórica por parte do público, dando lugar a “Like Velvet”, música introdutória do primeiro álbum (For All We Know).

Com um fato colorido e de sorriso nos lábios, NAO cantou “Happy”, “Inhale Exhale” e “Adore You”, enquanto rodopiava pelo palco e fazia movimentos de dança africana. Apresentando uma singularidade vocal que conquistou o público português, rendido ao seu “wonky funk” que, como descreve a cantora, é uma mistura de funk, eletrónica e R&B, NAO tentou mesmo o português nos agradecimentos, dizendo de forma muito engraçada — “O meu nome é NAO” — com bastante sotaque mas que o público adorou. Depois, apresentou os temas “In the Morning”, “So Good” e um cover de Prince, “If I Was Your Girlfriend”, que teve a colaboração do publico que cantou do inicio ao fim. No fim desta música, NAO perguntou ao público se queriam mais música e, perante a concordância do público, seguiu-se ainda o tema “Bad Blood”, com que finalizou o concerto.

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Às 23h15, no Cinema São Jorge, o rapper e DJ português Mike el Nite levantou-se no meio do público onde estava sentado e declamou um poema. Fazia parte da iniciativa "Vozes da Escrita", que a organização introduziu este ano, com convidados como Carlão, Mike el Nite, Fuse e Da Chick. Depois, quase de seguida, a cantora Céu, acompanhada por alguns músicos, nomeadamente um teclista, um baterista, também um guitarrista e e um baixista entraram em palco. Com um vestido simples, muito característico dos anos 80 e uns sapatos brilhantes que chamavam muito a atenção, a cantora lá foi fazendo umas poses muito teatrais e dramáticas à medida que foi cantando. Com a sala esgotada e uma fila à porta para entrar, aos primeiros acordes alguns dos fãs levantaram-se, de imediato, para dançar o tema “Perfume do Invisível”.

Alternando entre canções mexidas e rápidas e músicas mais calmas e psicadélicas, não faltaram os temas “Contratempo”, “Amor Pixelado” “Cangote” é eletrónica, “Malemolencia”. Para terminar o concerto, Céu guardou o tema “Varanda Suspensa” que levou os fans a levantarem–se e a dançarem, uma música aproveitada por Céu para apresentar os membros da banda um a um, agradecendo no final, e mais uma vez, a presença do público.

Para terminar a noite, foi a vez do luso-angolano Pedro (Itch)Coquenão e do sul-africano Spoek Mathambo no papel de “Os Projecionistas”, um nome particularmente apropriado ao espaço uma vez que isto acontecia agora na antiga sala de projeção do Cinema Tivoli-BBVA, no Sótão transformado num agradável espaço de café-concerto. Aqui, esta dupla de DJ Sets tiveram direito a duas horas de concerto onde passaram algumas das suas faixas favoritas de música afro-eletrónica.

Com alguma adesão por parte do público, este foi-se soltando aos sons africanos das músicas ao mesmo tempo que, no meio do público, um dançarino vestido de empregado de limpeza com uma vassoura que ia fazendo uns movimentos bastante elaborados mas que ia puxando para a dança, mesmo os mais envergonhados. No final os DJs agradeceram a todos os que aguentaram até às 02h00 e chamaram ao palco o bailarino que agradeceu com os DJs.

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Nem a chuva impediu o "mexe" e a "fest"

Num festival em que andar na rua se torna quase obrigatório, na passagem entre salas e concertos, a chuva poderia colocar o evento em causa e deitar tudo a perder, e a verdade é que o dia de sábado, 16 de Novembro, ficou marcado por muita chuva na região de Lisboa. Ainda assim, ao contrário do que seria até natural, a chuva acabou por “abençoar” este segundo dia do festival, com a organização a resolver, de modo rápido e eficaz, oferecendo capas para chuva a todos os festivaleiros.

Este dia ficou marcado pelos concertos de Mallu Magalhães, Elza Soares, António Zambujo, que foi umas das surpresas da noite e Branko.

Às 20h55, ainda com uma fila grande à porta, Mallu Magalhães entrou no palco no Teatro Tivoli BBVA, com uma excelente disposição e um sorriso radioso. Acompanhada pelas vozes do público, que sabiam as letras de cor, a cantora escolheu “Sambinha bom” para começar o que foi um dos concertos da noite, aplaudido em força no final pelos fãs entusiasmados. E antes de começar a cantar o tema “Me Sinto Ótima”, a cantora agradeceu ao público: “Obrigada por me receberem nesta cidade que, aos pouquinhos vou chamando de minha”.

De seguida, esta cantora brasileira avançou para os temas “In the Morning”, “Lost Appetite”, “Olha Só, Moreno” e “Chega de Saudade”, de Vinicius de Moraes, muitos temas marcados pelo folk, pop samba e reggae em um concerto que ficará na memória dos muitos que por ali passaram.

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A noite prosseguia entretanto na Sala Manoel Oliveira do Cinema São Jorge onde Sara Tavares pôde mostrar o seu timbre especial e o tom cabo-verdiano. Apresentou temas do seu novo álbum “Coisas Bunitas”, mas também alguns temas mais conhecidos como “Balancé”. Com uma sala bastante composta, o público estava bastante atento à cantora acompanhada pela sua guitarra, e houve mesmo quem tenha ensaiado alguns passos em ritmo africano. Entretanto, no mesmo espaço mas numa sala diferente, às 22h15 já se ouviam assobios e gritos a chamaram pelo próximo intérprete, PZ, que só às 22h30 subiu ao palco acompanhado pela sua banda. Vinham todos vestidos com um pijama e o cantor justificou o seu atraso dizendo que estava a dormir.

Bastante animado, PZ foi aproveitando para anunciar os temas sempre com uma piada. Começou o concerto com o tema “Bestas” seguindo-se do “Neura”, enquanto o público ia interagindo com o cantor dizendo que queria o pijama do mesmo ou pedindo canções. No final do tema “Dinheiro”, PZ atirou umas notas com a sua cara para cima do público. Os fãs lá foram dançando ao som das músicas e alguns gritavam — “És o maior” —, levando o cantor a perguntar: “Então e os croquetes agora?”

O público delirou e cantou a letra do tema de PZ em plenos pulmões juntamente com o cantor, e no final daquela música PZ presenteou os fans que estavam na linha da frente com algumas T-shirts. Por esta altura, havia já quem deixasse o espectáculo de PZ porque se tornava importante não perder o concerto de Elza Soares que avançava no Coliseu dos Recreios. A nossa reportagem fez o mesmo, rumámos de um lado ao outro e, ao chegar ao Coliseu, a cantora brasileira já tinha tocado as duas primeiras músicas, “Coração do Mar” e “Mulher do Fim do Mundo”, ela que se apresentou neste Vodafone Mexefest talvez como um dos nomes mais esperados da noite, percebendo por isso que tenha conseguido encher o Coliseu com um público ávido do seu samba brasileiro.

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Elza Soares fez vibrar um público “altamente fixe”

Vestida com um longo vestido preto e com a cabeleira roxa, que já faz parte da sua imagem de marca, Elza Soares passou o concerto numa espécie de poltrona que lhe dava um ar de rainha. Depois de cantar os primeiros temas, dirigiu-se aos fãs e disse “Boa noite Portugal, boa noite minha gente fixe!” e pediu ao público, em tom de brincadeira, que fizesse barulho. Depois, e antes de cantar o tema “Maria da Vila Matilde”, Elza pediu a atenção das mulheres e fez um discurso: “Chega de sofrer calada. Mulher tem de gritar, gemer só de prazer. Denuncie. Levantou a mão, denuncie”.

A cantora ia agradecendo ao público pela presença e pela energia, o Coliseu tremia com a emoção e o entusiasmo do público, e para terminar Elza Soares avançou para o tema “Comigo”, saindo do palco logo depois de forma dramática. O público começou a gritar e pedir por um encore, no escuro houve-se uma voz a declamar o poema “Metade Pássaro”, de Murilo Mendes, e Elza surgiu do escuro a perguntar ao público se queriam mais. A resposta foi óbvia e esta cantora brasileira que recusa a revelar a sua idade começou a cantar os temas “Vatapá” e “Pressentimento”. No final, agradeceu mais uma vez a presença do público e, ao invés do adeus, deixou um “até à próxima”. “Isto é só o começo, muita coisa boa ainda vem para a frente. Oxalá tudo o que falei se realize. Obrigada por terem vindo. Altamente fixe!”.

A noite ainda estava longe de chegar ao fim tal como o próprio Vodafone Mexefest. Às 23h15, na Casa do Alentejo, um espaço "entregue" à Toyota que ali colocou o seu mais recente "artista", o novo SUV C-HR, à porta deste sempre fantástico espaço que é a Casa do do Alentejo a receber os festivaleiros, foi a vez de Taxiwars se apresentarem palco. O projeto que junta o líder de dEUS, Tom Barman, e o saxofonista Robin Verheyen conseguiu uma sala cheia de fãs para ouvir o poder do jazz cosmopolitano.

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Apresentando os temas do álbum “Fever”, Tom Barman interagia com o público com poucas palavras, mas com muita e boa música. No entanto, foram os solos do saxofonista Robin Verheyen que fizeram vibrar o público presente na sala. No final deste concerto e subindo até ao Coliseu dos Recreios para ver o último concerto, os Kumpania Algazarra tomaram conta da entrada do Coliseu animando com as suas fanfarras as pessoas que por ali passavam, um concerto improvisado que serviu para aquecimento e uns passinhos de dança antes da entrada na sala principal do Coliseu para ver o DJ e produtor Branko que rapidamente chegou ao palco passando a receber o público com a sua sonoridade.

Assim, quem entrava por esta altura no Coliseu, encontrava Branko já no palco, enquadrado por grandes ecrãs onde passavam imagens de Lisboa, que rodeavam a sua mesa de mistura, e umas letras com o seu nome artístico por cima da cabeça. Depois de tocar as duas primeiras músicas, o DJ virou-se para o público e disse “Mexefest! Bem-vindos ao festival de música alternativa” e continuou a passar o melhor da música eletrónica com um toque africano.

O Vodafone Mexefest foi o espaço escolhido pelo DJ para mostrar o seu novo álbum editado no ano passado (“Atlas Expanded”), conseguindo colocar todo o Coliseu a dançar ao som do seu set live. Depois, e antes de terminar, Branko preparou a entrada de uma convidada: “Tenho mais uma música para vocês, mas para isto preciso de chamar a Mayra Andrande ao palco”. O público assobiou e aplaudiu muito entusiasmado à medida que a cantora subia ao palco, acabando Mayra e Branko por, juntos, cantarem o tema “Reserva Pra Dois” antes de finalizarem o concerto.

Apesar da chuva e do frio, o Vodafone Mexefest mostrou que continua a ser um festival de êxito. Apresentando um formato bastante peculiar, preenchido com dezenas de artistas distribuídos por alguns dos palcos mais especiais da cidade de Lisboa, repleto de surpresas e de animação, este festival deixa no público uma recordação muito positiva e o desejo de voltar e constitui-se, cada vez mais, como um evento musical relevante para a cidade de Lisboa.

texto: Catarina Peixoto
fotos: Jorge T. Carmona

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