Noite mais Só com Jorge Palma
Hoje é Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017

Noite mais Só com Jorge Palma

No Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, a música de Palma levou-nos por ruelas do "Bairro do Amor" em plena "Terra dos Sonhos"

IMG 4370A proposta daquela noite era a de acompanharmos o concerto de Jorge Palma em palco, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, num concerto cujo nome resumia uma curiosa contradição . Só, assim foi baptizado este espectáculo, tinha a justificação de adoptar o nome do seu último trabalho, mas era muito mais do que isso, tendo em si mesmo tudo menos qualquer sentido redutor, isto porque transportava desde logo toda uma enorme carreira daquele que é um dos últimos grandes românticos da música portuguesa, renascida nas noites da liberdade depois da revolução de Abril.

PUB

Sózinho em palco, com um piano, sete holofotes e um bengaleiro onde começou por deixar o seu casaco e o chapéu, Jorge Palma apresentou-se assim em mangas de camisa ao piano que foi naquela noite instrumento e orquestra, suporte ímpar para espectáculo de um homem só, muito bem acompanhado pela música, a sua companhia de toda a vida.

Temas incontornáveis da música nacional foram passando por aquele cenário composto pelas sombras do piano assentes sobre as projecções da própria imagem de Jorge Palma. “Frágil” foi apenas um dos hinos que nos levaram até ao “Bairro do Amor”, num caminho em que “A Gente Vai Continuar” iluminados pela “Estrela do Mar” na “Terra dos Sonhos”, onde até o “Jeremias, O Fora-da-lei” ganha total legitimidade na presença entre nós. Pelo meio, um passeio do próprio Jorge Palma sobre as teclas do seu piano enquanto o público continuava “À Espera do Fim”, garantindo o músico que “O Meu Amor Existe”, embora “Dizem que não Sabia Quem Era”.

Durante uma hora, Só foi passado por Jorge Palma para deleite de todos os que encheram quase por completo a sala do CCB, onde apenas duas ou três cadeiras ficaram vazias numa plateia atenta. Pelo meio, alguns diálogos de Palma com o público que lhe desculpou aqui e ali um ou outro engano, e o avanço para quase meia hora de música em que Jorge Palma resolveu oferecer naquela noite a possibilidade de ali ouvirmos Beethoven, sem qualquer palavra, num espaço onde a música reinou.

IMG 4306IMG 4331IMG 4314IMG 4358

Jorge Palma tinha o público na mão e sabia que nem um ou outro engano na obra do compositor alemão do século XVIII seria capaz de beliscar aquela excelente noite continuada com outros temas como a “Valsa de um Homem Carente”, um tema de Carlos Tê , ainda a “Balada de um Estranho” ou o “O Lado Errado da Noite”.

Léo Ferré, recordado ali no CCB com “Avec Le Temps”, mas também Leonard Cohen, através de “Bird on the Wire”, foram nomes que Jorge Palma ali recordou numa noite ímpar em que Só, foi muito, e poderia ter sido muito mais porque ali continuaríamos a ouvi-lo assim ele o quisesse.

Depois de ter enchido plateias recentemente ao lado de Sérgio Godinho, outro dos nomes ímpares da música portuguesa, Jorge Palma garantiu agora os mesmos elevados padrões de qualidade fazendo-o só... com Só.

Só ou acompanhado, volta sempre Jorge Palma!

texto e fotos: Jorge Reis

IMG 4382IMG 4378IMG 4352

Share

Copyright © 2012 LusoSaber - Todos os direitos reservados.