Energia dos Sum 41 gritou “Punk is not dead”

Energia dos Sum 41 gritou “Punk is not dead”

O regresso da banda canadiana aos palcos portugueses garantiu lotação praticamente esgotada no Coliseu dos Recreios

JC 57823Seis anos depois, Sum 41, a banda de punk-rock originária do Canadá, regressou a território nacional, agora para um concerto no âmbito da tour de apresentação do álbum “13 Voices” , o sexto do grupo, o qual se destaca pelo regresso do guitarrista de origem da banda, Dave Baksh, e pelo facto de ter sido desenvolvido durante o período de reabilitação do vocalista Deryck Whibley.

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A primeira parte do concerto agendado para a passada sexta-feira foi da responsabilidade dos Pærish, grupo que se anuncia como banda indie-rock de quatro peças, proveniente de Paris.

A presença dos Pærish no palco do Coliseu, aliás, começou por ser marcada pela pontualidade com que surgiram perante o público. Ali intercalaram as suas sete músicas — entre elas o single “undone”, homónimo do álbum em que se inclui — com palavras de gratidão e autopromoção.

Depois, com o aproximar do momento alto da noite, a lotação compôs-se, estabilizando no limiar do esgotado.

O relógio ainda não marcava dez horas quando um primeiro baixar de luzes toma conta do Coliseu. Falso alarme! Poucos minutos depois, de um modo até algo teatral, o concerto teve início e, finalmente, encaramos Sum 41. “A Murder of Crows” e “Fake My Own Death”, temas do novo álbum, foram as primeiras músicas a ser interpretadas e, sem perder tempo, a banda estabeleceu o ritmo alucinado que acompanharia toda a noite. Ouviu-se ainda “The Hell Song”, música do segundo algum da banda, antes de Whibley escolher, de forma aleatória, quatro pessoas da plateia para assistirem ao resto do concerto no palco.

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Estando garantida a passagem pelos clássicos da banda que conta já com vinte anos de carreira, os Sum 41 mostraram-se empenhados em relembrar o seu percurso: os temas “Over My Head (Better Off Dead)”, “Goddamn I’m Dead Again”, “Underclass Hero”, “Screaming Bloody Murder” foram interpretados sequencialmente e assim voaram catorze anos de punk-rock. Com o Coliseu já completamente rendido, o álbum em apresentação volta a ser destacado, ouvindo-se, pela primeira vez em território nacional, “There Will Be Blood” e “War”, música que Whibley afirmou ser inspirada na família Sum 41.

“Motivation”, a primeira música a ser tocada do álbum de estreia dos artistas canadianos, alerta para o início da passagem pelos grandes hits. “Grab the Devil by the Horns and Fuck Him Up the Ass” coreografou uma dança sincrónica entre os guitarristas e o baixista, seguindo-se “We’re All to Blame” e “Walking Disaster”. “Makes No Difference” fez diferença já que Whibley aproveitou o momento para inverter o espaço, interpretando esta e “With me”, um dos momentos especiais da noite, na segunda metade da plateia.

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Já em ritmo de despedida, “God Save Us All (Death to POP)”, “No Reason”, “We Will Rock You” (cover dos britânicos Queen) e “Still Waiting” antecederam um dos momentos mais aguardados da noite, nomeadamente a interpretação do tema “In Too Deep”, indiscutivelmente o maior sucesso da banda.

Luzes baixas e palco vazio davam alguma credibilidade à saída da banda, enquanto do outro lado se encontrava uma plateia que ia testando a acústica da sala como quem não quer arredar pé. Felizmente, o vocalista regressa ao palco com “Reason to Believe”, fazendo-se acompanhar somente de piano. Os restantes elementos da banda juntaram-se a Whibley ao som de “Pieces” e, por fim, ouvem-se “Welcome to Hell” e “Fat Lip”.

Palco novamente vazio. No entanto, este volta a ser pisado e inicia-se o segundo encore, desta vez protagonizado por uns Sum 41 mais cabeludos, já que os membros da banda se mascararam para a derradeira despedida. O adeus foi ouvido ao som de “Pain for Pleasure”.

Certamente que duas décadas de carreira são sempre nobres, mas ainda o são mais em casos como os de bandas Punk, estilo pouco popular, e é incrível constatar o reflexo destes vinte anos na multiplicidade de gerações que encheram o Coliseu na passada sexta-feira. Para além do mais, é de realçar a postura de gratidão e mútua admiração dos Sum 41 mas, em particular, a de Whibley, como a de quem percebe que tem uma segunda oportunidade e a agarra. Uma noite de confirmação para os crentes do Punk-Rock. E que noite!

texto: Beatriz Correia
fotos: Jorge T. Carmona

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