Glenn Miller Orchestra brilhou no CCB

Glenn Miller Orchestra brilhou no CCB

A banda que perpetua o nome daquele que foi um músico de jazz de excelência permitiu uma viagem no tempo ao glamour dos anos 30

GlennMiller11Relembrar êxitos do passado, tocar no presente e prometer mais concertos memoráveis no futuro, assim se pode resumir a passagem pela "Glenn Miller Orchestra" pelo palco do CCB , na passada quinta-feira, no Grande Auditório, perante sala cheia e um público selecto e maduro, ávido de um jazz único e inconfundível como só esta "big band" o sabe fazer. Assumindo-se como um caso de sucesso, a Glenn Miller Orchestra esgota sempre as salas por onde passa e uma vez mais isso aconteceu desta vez.

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Sob a direção musical de Larry O´Brien, a "Glenn Miller Orchestra" ofereceu ao público um espectáculo musical por excelência e de uma qualidade superior, sem dúvida emocionante e perfeita. O portal LusoNotícias, como nos demais grandes eventos, acompanhou este concerto promovido pela Incubadora d'Artes no qual a "Glenn Miller Orchestra" perpetuou a memória e a herança musical daquele que ficou conhecido como um enorme músico de jazz, que interpretava de forma única e inconfundível com o trombone ou o trompete, destacando a banda que formou com o seu próprio nome em 1937.

Curiosamente, a “Glenn Miller Orquestra” nem sequer foi a primeira banda formada pelo músico norte-americano nascido 1 de Março de 1904 e falecido aos 40 anos, a 15 de Dezembro de 1944. Um ano antes deste projecto que foi adiante, ainda em 1936, Miller formou uma banda mas decidiu dissolvê-la algum tempo depois porque a considerou muito "parecida" com outras bandas daquela época.

Assim, em 1937, com o Mundo à beira da II Guerra Mundial que chegaria passados dois anos, este novo grupo organizou-se em torno de um clarinete e um saxofone tenor melódicos, enquanto os outros três saxofones faziam a harmonia. Nascia assim a “Glenn Miller Orchestra”, uma banda que se tornou rapidamente muito popular, tendo gravado vários êxitos imortais como "Moonlight Serenade", "In the Mood", "Tuxedo Junction", "Chattanooga Choo Choo" e "I´ve got a Gal in Kalamazoo".

Em 1944, após o desaparecimento de Glenn Miller no Canal da Macha, em plena Segunda Guerra Mundial, numa viagem de Inglaterra para Paris onde iria actuar com a sua orquestra para as tropas aliadas, a banda foi reconstituída então sob a direcção de Tex Beneke, saxofonista, cantor e um dos grandes amigos de Miller. Mais tarde viria a ser Ray McKinley,  baterista da Força Aérea, quem teve a missão de organizar nova banda, contratado pela família de Glenn Miller em 1956.

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Muitos anos e muitos nomes depois, a “Glenn Miller Orchestra” chegou ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, na actualidade liderada por Larry O'Brien, um músico, apaixonado também ele pelo trombone, descoberto na já longínqua década de 80 do século XX pelos donos da banda que perpetua o nome de Glenn Miller quando actuava no Dunes Hotel "Casino de Paris". Agora em Lisboa, no CCB, num palco onde o vermelho fogo surgiu como cor dominante, intensa e quente, reflectida nos adereços dos músicos, o espectáculo iniciou com as "Boas Vindas" dadas em português pelo maestro, tendo o público retribuído com uma calorosa salva de palmas.

Vários foram os tributos musicais oferecidos pela orquestra que interpretou "Time goes by", de Frank Sinatra, relembrado por Julia Rich , e "New York, New York", pela voz de Ryan Garfi, momentos de grande prazer e vivência do público, que atento e emocionado, trauteou cada um dos temas com conhecimento e saudade.

Ao piano, Ron Mills ofereceu um excelente solo. Fabuloso, calmo, de uma qualidade superior e sempre em harmonia e sintonia com os restantes membros da orquestra, motivou da parte do público palmas e mais palmas, num aplauso de pé em que ninguém deixou de reagir ao calor e carinho de cada performance. Outros dos temas ouvidos foi "I´ve got you under my skin", o qual, a par de "Wonderful World", encantaram toda a plateia. Sucessos como "Moonlight Serenate", "In the Mood", "Tuxedo Junction" e "Chattanooga Choo Choo" foram tocados com "alma", "garra" e muita harmonia, permitindo no espaço do Grande Auditório do CCB duas horas, de glamour, música de topo e memórias que permitiram a viagem do público até aos anos trinta.

Os vinte talentosos instrumentistas e os dois vocalistas permitiram assim ao público que encheu o CCB reviver um passado único, vivido num contexto social conturbado mas rico na criatividade, mudanças e glamour. Em duetos, trios ou todos juntos, a noite foi de magia, emoções, recordações, entusiasmo e de uma suprema qualidade artística. Pelo meio, um cheirinho mexicano, com "Amore Amore", a deixar um rasto de romantismo em ritmos de jazz e swing.

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A surpresa aconteceu quando George Reinert, Chris Forter, Adam Smith e Jason Bennet desceram do palco com os seus trombones, partilhando de perto com o público um olhar mais próximo, um aperto de mão, um sorriso, uma generosa empatia com ritmo e muita satisfação e prazer. Depois, também o baterista, Denton Elkins, pôde oferecer ao público um excelente momento com o tema "Sing, Sing, Sing".

“Bravo”, “Formidável”, foram as palavras mais ouvidas de uma plateia encantada pela excelente execução. E porque há ritmos que obrigam à resposta dos corpos, ao som de "In the Mood" foram vários os que tentaram a sua sorte com movimentos ritmados nos seus lugares.

A prestação da “Glenn Miller Orchestra” aproximava-se do final mas, para tudo terminar ainda com mais beleza, o tema "Adiós" convidou a uma presença conjunta em palco. Mais uma vez, vozes, saxofones, trompetes, trombones, piano, bateria e contrabaixo, cantaram e tocaram no mesmo ritmo, permitindo uma derradeira sensação de beleza, sintonia, harmonia e perfeição na sublime performance da Glenn Miller Orchestra.

No coração daqueles que assistiram a este excelente espectáculo ficou o prazer de ouvir as origens do jazz, do swing, e o encanto de um flashback musical que levou todo o Grande Auditório numa viagem pelo século passado até aos melodiosos anos 30. Num concerto memorável e envolvente, foi feita justiça ao legado de Glenn Miller perante um público que, já no exterior do CCB adjectivava tudo o que tinha ali vivido: “excelente, perfeito, adorável...”

texto: Glória Resende
fotos: Tito de Sousa

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