Francisco - Papa do Povo... uma vida a desatar nós

Francisco - Papa do Povo... uma vida a desatar nós

Estreia a 4 de Maio o filme que conta a vida do Papa Francisco, ou mais correctamente o percurso do jesuíta argentino Jorge Bergoglio

francisco-papa-1“Francisco - O Papa do Povo”, no título original “Chiamatemi Francesco - Il Papa della gente”, com estreia marcada para 4 de Maio, conta o percurso do padre jesuíta Jorge Mario Bergoglio , filho de uma família de imigrantes italianos em Buenos Aires, até ao topo da hierarquia da Igreja Católica, o derradeiro lugar em que não é possível ir “mais acima”. Ao longo de duas horas, quem vê o filme é convidado a percorrer a jornada humana e espiritual que este jesuíta seguiu até chegar a Roma, durante mais de meio século, numa Argentina marcada com sangue por entre controversos momentos históricos durante a ditadura militar de Jorge Rafael Videla. Em 2013, Jorge Mario Bergoglio foi eleito Papa em Roma, desatando afinal mais um dos muitos nós que enfrentou ao longo da sua vida, mas por certo enfrentando muitos mais e sem dúvida mais profundos.

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O tango argentino que acompanha o final deste filme, música determinada mas sofrida e porventura até trágica, marca afinal uma história que é mais da realidade de uma época conturbada e sofrida para o povo argentino do que propriamente da vida de um só homem. Todavia, o homem de que fala o filme não é um homem qualquer mas antes o padre jesuíta Jorge Mario Bergoglio que acompanhou os piores anos da ditadura do general Jorge Rafael Videla Redondo, o presidente argentino entre 1976 e 1981 depois de um golpe de estado que depôs a presidente María Estela Perón.

Antes, na sua juventude, Jorge Bergoglio é um rapaz como tantos outros, com uma namorada, vários amigos e uma inspiradora professora de Química, Esther Ballestrino. Tudo muda, no entanto, quando Bergoglio descobre a sua vocação e entra na rigorosa Ordem Jesuíta. Mais tarde, durante o auge da ditadura militar e na autoridade de Provincial dos Jesuítas na Argentina, o futuro Papa passa pelo período mais negro da sua vida, em que a sua fé e coragem são postas à prova.

Num período de particular dificuldade, Jorge Bergoglio apoiou homens e mulheres visados pelo regime ditatorial argentino, nomeadamente elementos da Igreja que, pelo simples facto de estarem junto ao povo argentino, sofreram também eles na pele duras consequências, com prisões sumárias e desaparecimentos que culminavam muitas vezes com a morte às mãos dos militares. Foi precisamente por entre tantas dificuldades impostas pela ditadura militar que Bergoglio foi procurando manter a sua ligação ao povo, "arrastando" com ele o bispo de Buenos Aires quando, já depois da ditadura militar, teve enfrentar a ditadura económica, quando o poder político era comandado por ordens vindas de "mais acima", de um poder económica afinal transversal já ao mundo em geral e não apenas à Argentina.

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Rumando à Alemanha, para estudar teologia, Jorge Bergoglio encontra um dia uma venezuelana que, no interior de uma igreja germânica, rezava uma "Avé Maria" em castelhano, algo que encantou o padre jesuíta. Essa mulher venezuelana viria a ter um papel determinante no rumo que Bergoglio seguiu em termos de vida, isto porque lhe "apresentou" a Virgem Maria Desatadora de Nós, uma oração que rezou ali mesmo, referindo a capacidade que a Virgem Maria pode ter em "desatar os nós" da nossa vida. Naquela altura, Jorge Bergoglio recordou tantos e tantos nós do passado, chorou, e passou a andar acompanhado das imagens da Nossa Senhora Desatadora de Nós.

Tornado arcebispo de Buenos Aires e um constante defensor dos marginalizados da sociedade, Jorge Bergoglio vê a sua história chegar ao clímax nessa noite inesquecível de 2013 em que, vestido de branco e com uma cruz de ferro, cumprimentou o mundo com um novo nome: Francisco.

Agora, quando no próximo dia 13 de Maio, Jorge Mario Bergoglio, ou o Papa Francisco, chegar a Portugal e ao Santuário de Fátima, onde vai estar em oração, não sabemos se irá transportar consigo alguma imagem da Nossa Senhora Desatadora de Nós, mas irá pelo menos rezar aos pés da Virgem Maria, na Cova da Iria, perto do povo que sempre elegeu para ser o seu público preferencial, como fica claro neste filme realizado por Daniele Luchetti com o actor Rodrigo De la Serna no papel principal, mas também Cuyle Carvin, Alex Brendemühl, Mercedes Morana, Muriel Santa e Maximilian Dirr.

Sendo religioso ou nem por isso, é sem dúvida imperativo ver este filme que surge como um documento histórico sobre um período negro da Argentina e da América Latina, vivido por aquele que é hoje visto como uma luz de esperança para os mais pobres e desfavorecidos, para o povo. Afinal, estamos perante “O Papa do Povo”.

Jorge Reis

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