Ariana Grande agradou aos seus fãs em Lisboa
Hoje é Terça-Feira, 19 de Setembro de 2017

Ariana Grande agradou aos seus fãs em Lisboa

O concerto não foi um deslumbre, esteve longe disso, mas os muitos adolescentes no MEO Arena gritaram a plenos pulmões todos os temas

Ariana07Quando, em 2016, Ariana Grande anulou a sua presença em Portugal, então no Rock in Rio, os fãs da jovem cantora norte-americana garantiram desde logo que iriam esperar por nova oportunidade e não perderiam qualquer concerto que fosse agendado. Nova presença entre nós foi entretanto marcada, agora num concerto integrado na tournée “Dangerous Woman”, agendado para o passado dia 11 de Junho, e que chegou a ser posto em causa depois do atentado cometido a 22 de Maio em Manchester, quando um engenho explosivo foi deflagrado por um bombista suicida que provocou 22 mortos e 64 feridos.

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A verdade é que Ariana Grande, após ter cancelado dois concertos em Londres, viria mesmo a permitir um segundo concerto, este de cariz solidário com outros nomes sonantes da música pop mundial e de novo em Manchester, prosseguindo depois a sua tournée e mantendo desse modo o espectáculo agendado para Lisboa, no MEO Arena, um espaço que conheceu uma rigidez de segurança sem precedentes, que limitou mesmo a entrada aos repórteres fotográficos no espaço do concerto por determinação expressa do staff da cantora norte-americana.

Chegava assim a Lisboa uma artista com uma legião de fãs bem afirmada, os “Arianators”, na sua grande maioria adolescentes ou mesmo pré-adolescentes que, muitos deles, levaram os pais a reboque neste período de final de ano escolar até ao MEO Arena para ouvir e aplaudir a sua artista preferida de que sabiam quase todas as músicas, algumas acompanhadas por vezes em histeria própria de quem viviam ali as primeiras presenças em concertos e logo ao som de Ariana, ela que começou também na pré-adolescência, chegando à Broadway aos 13 anos onde foi Charlotte.

Agora em Lisboa, perante pouco mais de 16 mil pessoas no MEO Arena, num espaço composto mas ainda assim sem esgotar, tudo começou após uma contagem descrescente feita por um relógio projectado até à entrada da cantora. Chegados aos zeros, o primeiro grande grito histérico em uníssono na entrada de Ariana Grande em palco, vestida de negro lado a lado com dez bailarinos, para o primeiro tema da noite, “Be alright”, a abertura no alinhamento do disco Dangerous Woman (2016). Por esta altura começávamos a dar conta de algumas peculiaridades deste concertos, com a imagem de Ariana Grande por vezes a ser projectada nas laterais do palco, mas sem nunca merecer grandes atenções pelas luzes da sala.

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A ausência de um foco de luz que poderia incidir sobre a cantora impediu por vezes que conseguíssemos perceber onde ela estava de facto no palco, havendo determinados instantes em que não esteve mesmo, aproveitando para mudar de roupa, mesmo sem que as músicas tivessem que contemplar períodos para tal.

Para além da luz que nem sempre permitiu a melhor imagem cénica de todo o conjunto, o som também não primou pela grande qualidade, revelando-se por vezes demasiado estridente, afinal adequado à histeria colectiva de todos aqueles miúdos (e miúdas) que lá foram reagindo às poucas interacções de Ariana Grande com os seus fãs. Um “obrigado” dito na língua de Camões mereceu enorme aplauso de todos aqueles que reagiram a preceito quando o MEO Arena foi invadido por balões ou através da exibição das orelhas de gato que surgem como imagem de marca da cantora norte-americana.

No momento em que Ariana Grande interpretou o tema “Touch it” os fãs levantaram folhas A4 distribuídas pela produção em que se lia a mensagem “What we have is love untouchable” (O que temos é amor intocável), chegando o concerto a um momento em que o palco se transforma num pequeno ginásio para o tema “Side to side”.

Ariana Grande pedala ao ritmo do tema e por instantes o MEO Arena é mais um enorme ginásio de aeróbica com muitos jovens a tentar acompanhar aquele ritmo não só com a voz mas também com os pulos para um enorme desgaste de energias. O ritmo mantém-se elevado permite o tema “Bang bang”, porventura um dos mais conhecidos das “play-lists” nas rádios.

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As atenções do público repartem-se agora entre a necessidade de acompanhar o ritmo e o de apanhar os balões cor-de-rosa que caem do tecto, numa altura em que o concerto avança para um momento de grande simbolismo, com Araiana a interpretar “Somewhere over the rainbom”, com as luzes apagadas a permitirem o destaque do símbolo de luto criado para lembrar as vítimas de Manchester, a aparecer sobre o fundo cor-de-rosa. Os imensos smartphones que se fizeram sentir ao longo de toda a noite eram por esta altura usados como lanternas no lugar dos clássicos isqueiros e o momento permitiu nova onde de aplausos.

A noite já ia longa, nomeadamente para aqueles pré-adolescentes que viriam a sair do MEO Arena satisfeitos e até mesmo felizes com um concerto que esteve longe de ser perfeito, mas serviu de forma mais do que suficiente o fornecimento de música pronta a consumir por uma geração para quem os padrões de qualidade não são de particular exigência, e que quer hoje os seus ídolos no topo como amanhã poderá estar disposta a encontrar outros ídolos se os pés de barro dos actuais se revelarem demasiado frágeis.

Ariana Grande terá ficado ainda assim agradada com a entrega dos seus fãs nos aplausos à sua prestação e fez questão de deixar isso mesmo bem expresso nas redes sociais, onde partilhou uma fotografia do espectáculo com uma mensagem simples – "Obrigado Lisbon! Eu te amo" –, recebida com “likes” às pazadas e comentários elogiosos por parte dos fãs portugueses.

reportagem: Jorge Reis

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