Aerosmith em Lisboa com “Aero-Vederci Baby!”
Hoje é Terça-Feira, 19 de Setembro de 2017

Aerosmith em Lisboa com “Aero-Vederci Baby!”

A despedida de Aerosmith ficou marcada por problemas técnicos, mas salva pelas emoções (que as músicas causaram) à flor da pele

170626-Aerosmith-09O MEO Arena, muitas vezes sinónimo de colossal enchente, especialmente em espectáculos tão celebrativos como o fecho da tournée dos Aerosmith, ficou aquém das expectativas neste caso, no espectáculo realizado esta segunda-feira para o qual a espectativa era grande, acabando o resultado final por não encher as medidas de toda a gente. Entre outras coisas, a qualidade sonora não esteve à altura da noite e do historial da banda em palco, sendo que os problemas técnicos que foram deixando ao longo da noite Steven Tyler sem dúvida aborrecido foram frequentes.

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Mas voltemos ao início. A abertura do espectáculo esteve à responsabilidade dos ingleses RavenEye, que contrariaram a tão famosa pontualidade britânica, ainda de um modo bizarro, ao entrarem em palco cinco minutos antes da hora marcada. Apesar de serem uma banda novata na sombra dos Aerosmith, não se deixaram intimidar e, ao longo das oito músicas interpretadas, mantiveram um bom ritmo de entretenimento, mais do que suficiente para um requerido aquecimento.

Apesar da espera pelos artistas principais não ter sido exageradamente demorada ao ponto de chatear o público, este manteve-se entretido fazendo "a onda" à volta do anel superior do MEO Arena, até ao momento em que um vídeo introdutório anunciou o início do concerto. No ecrã foi possível ver fotos e capas dos álbuns de várias épocas da carreira dos Aerosmith, até à representação dos tempos actuais, dando assim o mote para Steven Tyler e companhia entrarem em palco.

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O alinhamento não foi surpreendente, tendo sido seguido à risca de acordo com o formato já usado nos últimos meses. "Living on the Edge" foi a primeira música capaz de arrancar a primeira histeria da noite, que só voltaria a ser retomada mais tarde, depois de um momento bem apagado, composto por não tão bem conseguidas interpretações e covers de Fleetwood Mac que a poucos interessou.

Problemas técnicos foram a razão principal desse momento de escuridão e enfurecimento. Steven Tyler queixou-se logo desde início que algo falhava com a sua monição de ouvido e também o som da sala deixou muito a desejar, problemas que só foram resolvidos já depois de outro êxito, "Sweet Emotion", num longo compasso de espera que antecedeu "Don't wanna miss a thing".

Os primeiros segundos deste grandioso hit – celebrizado na banda sonora do filme "Armageddon" – foram sofridos até que o público se rendeu, não pela qualidade global do momento, mas pela qualidade da música e das emoções que ela suscita. A arena tornou-se nesse momento uma constelação brilhante dado o enorme número de telemóveis que gravavam aquele que terá sido o momento mais sentimental da noite.

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Seguiu-se a terceira e melhor interpretada cover por parte dos Aerosmith, "Come Together" (The Beatles), não fizesse esta música parte duma temporada importante nas suas carreiras. Pouco faltou até surgir outro momento intenso, daqueles de trazer lágrimas aos olhos dos que acompanhavam Tyler cantando "Cryin". "Dude (looks like a lady)" fechou o show em êxtase antes da pausa que permitiu aos técnicos posicionar o piano para a música que abriria o encore.

A melhor performance de todas, para consenso geral, terá sido "Dream on", a começar com Steven ao piano branco e a seu lado Joe Perry que, entretanto, trepou pelo instrumento acima com a sua guitarra. Nesta interpretação não faltaram os magníficos e ainda certeiros high pitch na voz do vocalista e os solos quentes do guitarrista que quase sempre partilhou o spotlight com o frontman da banda. O encore terminou com a espampanante "Walk this way" e uma despedida modesta por parte dos membros da banda.

Em resumo, 18 anos depois, Aerosmith voltaram a Portugal, para uma tournée que pouco soube a despedida sentida, e em que faltaram grandes éxitos como "Crazy" e "Angel". Apesar disso, os 47 anos da banda parecem não pesar especialmente nas costas da dupla Tyler e Perry que, desde o princípio, foram bastante energéticos em palco, deixando a dúvida no ar: será que afinal se aguentam até ao quinquagésimo aniversário?

reportagem: André Graça

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