Palco NOS garante primeiro dia de sucesso

Palco NOS garante primeiro dia de sucesso

Se dúvidas existissem sobre o porquê dos bilhetes esgotados a três meses do NOS Alive a explicação foi dada no Palco NOS

NOS-Alive-10Arrancou esta quinta-feira a 11ª edição do NOS Alive, evento que dá que falar em terras lusas mas também no estrangeiro, um festival premiado que acontece todos os anos no Passeio Marítimo de Algés desde 2007. No arranque desta edição a qualidade começou logo por ser evidente na programação do palco principal, o “NOS Stage”, pelo qual passaram, com uma qualidade de som quase sempre inatacável, grandes nomes como The Weeknd, The xx ou alt-J.

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Os gostos musicais são diversos, mas há algo presente no NOS alive que sempre uniu todos os festivaleiros: a emoção de sentir que o Verão e as férias estão agora a começar (verdade, pelo menos para a camada estudantil). As idades são sempre diversas, mas o espírito jovem estampa-se no rosto de todos os que passam pelo pórtico de entrada em direcção ao palco principal, stands comerciais e outras zonas do recinto.

O palco principal, que detém o nome da mesma marca de telecomunicações que dá nome ao festival, foi desde cedo o foco das atenções quando, pelas 18h00, You Can’t Win Charlie Brown entraram em cena. Vozes afinadas e música com muito bom espírito resultaram no alegre e feliz arranque do palco NOS, que se manteve constante ao longo de toda a noite. O sexteto português veio ao festival apresentar o seu terceiro trabalho, “Marrow”, revelando trazer na bagagem um álbum com uma sonoridade menos folk e mais dançável, que agradou a muitos.

Gritos e aplausos fizeram ouvir-se de forma ensurdecedora frente ao palco principal, revelando a já vasta multidão de pessoas que aguardava alt-J. Nos ecrãs do recinto, os característicos efeitos filmográficos a preto e branco - já considerada imagem de marca da banda - sobrepuseram-se às filmagens dos artistas, mal estes começaram a tocar. O princípio do concerto foi logo efusivo e “Tessellate”, um dos seus maiores hits, surge entre as primeiras músicas para entusiasmo repentino dos fãs. Um “Obrigado!” em bom português, interessado e sentido, foi repetido frequentemente ao longo da sua actuação.

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Já a encaminhar-se para a segunda metade do concerto, “Matilda” foi cantada a plenos pulmões pelo mar de gente que inundava a plateia, dando os próprios artistas lugar especial para que essas mesmas vozes fossem ouvidas. Protagonizou-se assim o momento mais bonito que se pôde ver durante o pôr-do-sol dessa tarde. alt-J abandonaram o palco com “Breezeblocks”, sem razões de queixa quanto ao calor que os recebeu, e o público, rendido, ansiava por mais, mas já a pensar nos artistas que se seguiam.

Pontualmente, sendo já início da hora de jantar, Phoenix, um dos expoentes maiores da música moderna francesa, entraram em palco, tendo levado um concerto calmo durante os primeiros 15 minutos. Subitamente o espectáculo alterou o rumo para um registo pop mais acelerado onde o som – exímio ao longo de quase toda a noite - inicialmente não esteve à altura. A audiência frente ao palco principal era enorme e desde então não parou de dançar. A banda despediu-se, já depois do vocalista descer ao fosso num momento de maior intimidade, num concerto onde todos os apetrechos luminosos à disposição tomaram conta da cena colorida protagonizada por Christian Mazzalai, Deck d’Arcy, Laurent Brancowitz e Thomas Mars.

Em dia de festival, jantar acaba por ficar sempre para mais tarde que o desejável, e a maioria das massas acorreu à zona de restauração já no final do concerto da banda francesa. Quando The xx começaram o seu concerto, a multidão estava equitativamente distribuída por todo o recinto do festival. Nem assim, o menor número de fãs na plateia do palco NOS deixava de mostrar o seu entusiasmo perante o trio britânico que entrara em palco.

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O concerto foi pontuado por inúmeros êxitos da banda, como “Cristalyzed” ou “VCR”, e simultaneamente novos temas do álbum “I See You” apareceram inteligentemente bem misturados no meio do programa nos haviam trazido. Já o show ia a meio quando decidiram criar um tempo especial para interacção com o público, dando a explicar o quanto gostam de estar Portugal – esta é já a sua sétima passagem pelos palcos nacionais – e aproveitando para dedicar uma música a um amigo hospitalizado. Os instantes finais do concerto levaram Jamie xx a mostrar os seus dotes de DJ, carreira que detém a solo e que já o trouxe a edições passadas deste mesmo festival. Pelo meio da mixagem, o produtor da banda criou a sonoridade perfeita para “On Hold” - single que lançou o seu novo trabalho - ser introduzida no momento perfeito do alinhamento.

Numa entrada triunfante, o artista mais aguardado da noite, entrou em palco a dar tudo por tudo na performance de “Starboy”, um dos hits mais badalados da rádio nos últimos meses. “You guys show so much love. I love you much!”, disse The Weeknd, dirigindo-se ao público na sua primeira intervenção. Pelo meio foram várias as músicas do seu recente álbum, “Starboy”, que marcaram presença, como esperado. “I can’t feel my face” foi o segundo momento de notável êxtase, mesmo quando o público se manteve ao rubro desde a primeira música.

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O concerto acabou com “The Hills”, revelando-se o cantor canadiano por entre jactos de fumo e labaredas gigantes onde, no fundo do palco, as imagens do ecrã gigante colaboravam para o mesmo cenário escaldante. Rapidamente, curto e sem direito a encore, a presença em palco de The Weeknd chegou ao fim após uma hora em palco, surpreendendo o público. The Weeknd saiu de cena provando os seus dotes vocais e qualidade de controlo e entretenimento de multidões, mas trouxe muito aparato e pouca intimidade, num concerto globalmente muito bom, mas que deixou a desejar.

Deixando para trás os palcos Clubbing e Heineken que ainda injectavam uns valentes decibéis na atmosfera de Algés, contentes pela experiência vivida ao longo do dia, a maioria dos festivaleiros retirou-se para casa, por entre largas gargalhadas, aproveitando as últimas oportunidades de tirar uma selfie comemorativa que lhes lembrará este dia memorável.

reportagem: André Graça e Jorge Reis

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