Casino Estoril fez silêncio para se cantar o Fado
Hoje é Quinta-Feira, 19 de Outubro de 2017

Casino Estoril fez silêncio para se cantar o Fado

No icónico Salão Preto e Prata o Rei foi uma vez mais o Fado, cantado por um elenco de luxo na 16ª edição da Gala do Fado Carlos Zel

20170912O Casino Estoril, no seu Salão Preto e Prata, recebeu uma vez mais, para a 16ª edição, a Gala do Fado Carlos Zel, evento ali realizado no passado dia 12 de Setembro , numa sala em silêncio para que ali se pudesse cantar o Fado. Glamour, classe e emoção marcaram assim uma noite em que o o Fado permitiu relembrar o grande Carlos Zel.

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Com um elenco de luxo em que sobressaíam os nomes de Cuca Roseta, Ana Moura, Fábia Rebordão, Pedro Moutinho, Ricardo Ribeiro e Rodrigo, a noite permitiu interpretações de fado brilhantes, exaltando este Património Imaterial da Humanidade que é nosso, português, o Fado.

Transmitido de geração em geração, o Fado continua  a ser recriado pela humanidade em função do seu meio, da sua interação com a natureza e a sua história, promovendo o respeito pela diversidade cultural e a criatividade humana. Prova disso foi a atuação exímia dos fadistas presentes no Salão Preto e Prata do Casino Estoril.

Após um jantar requintado ao jeito, aliás, do que há muito o Casino Estoril já habituou os seus frequentadores, Branca Zel, a viúva de Carlos Zel, deu as boas vindas e agradeceu a presença de todos os que, ano após ano, continuam a gostar de estar presentes nesta Gala já incontornável na programação cultural do Casino Estoril, na qual continuam a preservar e honrar a memória de Carlos Zel.

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O primeiro fadista da noite, Pedro Moutinho, irmão de Camané e Helder Moutinho, apresentou-se em palco com Ângelo Freire na guitarra portuguesa, Pedro Soares na viola de fado, e André Moreira na viola baixo, presenteando o público com uma guitarrada executada ao mais alto nível.

Nascido em 1976 no seio de uma família ligada ao fado, Pedro Moutinho fixou o seu talento na sublime expressão musical que é o Fado, interpretando nesta noite, e de forma exemplar, quatro temas que lhe valeram enormes aplausos por parte do público.

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Fábbia Rebordão, que actuou pela primeira vez nesta Gala, interpretou também ela quatro fados, fazendo-o com vitalidade, expressividade e muita comoção, destacando-se o fado “Foi Deus”.

O público cantou, aplaudiu “Falem agora”, e agradeceu com uma enorme ovação perante a prestação daquela que é hoje tida como uma das vozes de referência do fado novo.

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Seguiu-se Ricardo Ribeiro, um dos mais destacados valores da mais jovem geração de fadistas portugueses, dono de uma excelente voz e aplaudido, também ele, com uma enorme salva de palmas pelo seu Fado que é tudo o que acontece na alma de todos!

Muito intenso, chamou a si a colaboração do público para o seu terceiro fado — “Não rias” —, vindo a terminar com “Alfama” e um fantástico solo de viola baixo interpretado por André Moreira... Perfeito!

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Nova voz feminina, agora a de Cuca Roseta, conterrânea do Estoril e presença de enorme elegância e charme para o palco do Salão Preto e Prata. Fadista portuguesa que é, também ela, uma das vozes da nova geração no Fado, possui já um sucesso e reconhecimento internacionais, ela que garante ter como única ambição a de simplesmente dar e receber emoção.

De forma segura, com enorme entrega e paixão, Cuca transmitiu emoção que também recebeu do público, cantando “Maria Lisboa” como um tributo à tão grande quanto única que é a cidade de Lisboa.

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Regressando às vozes masculinas, era agora a vez de permitir a presença em palco daquele que é um grande Senhor do Fado: Rodrigo.

A comemorar os seus 50 nos de carreira, Rodrigo continua a ser inconfundível, para além de possuidor de uma voz inédita, atual e muito característica. Em palco lembrou e partilhou com o público momentos de interesse com o seu grande e querido amigo Carlos Zel que, confessou, foi fonte da sua inspiração. Nascido em Junho de 1941, fadista popular com um vasto reportório e com um estilo muito original na forma como interpreta o Fado, Rodrigo permitiu a presença no palco do fado “Marcha”, de Alfredo Marceneiro, altura em que foi acompanhado pelo público com muito entusiasmo.

“Morena dos Olhos Verdes” foi outro tema dos seus fados, com as poesias populares a apontarem os bairros populares lisboetas, terminando Rodrigo mais esta presença nos palcos do Casino Estoril com o clássico “É tão bom ser pequenino”, cantado com um novo estilo mas com a mesma paixão e encanto.

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A noite aproximava-se do final mas havia ainda tempo para mais um grande nome do Fado, já incontornável em Portugal mas também no Mundo onde o Fado é escutado com a atenção de quem ama este estilo musical bem português e lisboeta.

Ana Moura, é dela que falamos, fadista que é hoje considerada a mais bem sucedida e premiada do século XXI, começou por agradecer ao público a forma como foi recebida neste evento, deixou algumas palavras de homenagem a Carlos Zel, acabando depois por cantar e encantar com a sua presença plena de elegância e charme no palco do Casino Estoril.

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Com uma voz marcante, acompanhada sempre com grande empatia junto do público, terminou com o fado “Loucura” para mais um momento alto da noite.

Agora sim era tempo para concluir esta 16ª Gala do Fado, marcada pelo enorme entusiasmo evidenciado pelo público que não regateou aplausos a quem subiu ao palco para homenagear Carlos Zel e, naturalmente, o Fado, numa noite fantástica e plena de emoções.

texto: Glória Resende
fotos: Tito de Sousa

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