Gal Costa arrasou com talento sem idade

Gal Costa arrasou com talento sem idade

Dois espectáculos em Lisboa e um no Porto permitiram enchentes de admiradores de Gal que, aos 72 anos, mantém uma qualidade impressionante

GalCosta02Transformado uma vez mais em sala de espectáculos, justificando o epíteto de pólo cultural da cidade de Lisboa, o Campo Pequeno recebeu nos dias 11 e 12 de Novembro a emblemática cantora brasileira Gal Costa , para um concerto ímpar de uma qualidade impressionante.

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Aos 72 anos, a artista exibe um sorriso aberto e contagiante enquanto garante ter 50 anos e sentir-se com apenas 45. Acaba assim por ser com este bom espirito positivo e divertido que Gal Costa recebe o seu público, transmitindo logo ali um espírito positivo que a acompanhará até ao final da noite.

Com uma voz poderosa, Gal Costa avançou então para a apresentação do seu “Espelho d’Água”, um espectáculo em que celebrou os cinquenta anos de carreira e que justificou três concertos esgotados, nomeadamente os dois em Lisboa e outro ainda no Coliseu do Porto.

A artista com raízes portuguesas — o seu avô materno era natural da Serra da Estrela —, que na origem da sua carreira começou lado a lado com nomes como os de Caetano Veloso, Gilberto Gil ou Maria Betânia, nomes que não esqueceu de citar neste espectáculo, continua hoje, cinco décadas depois, segura do seu talento, algo que deixa claro ao apresentar-se apenas acompanhada por apenas um elemento — Guilherme Monteiro no violão ou guitarra eléctrica.

Com a sua maturidade serena, Gal Costa manteve sempre uma enorme interactividade com o público, com quem foi falando para revelar pequenas histórias das suas raízes portuguesas, gracejando com o facto de ter ido naquele dia ao cabeleireiro, apontado como “chique”, e que ainda assim foi barato. Disse adorar Lisboa e confessou estar a pensar seguir um exemplo mediático... tal como a Madonna também Gal confessa estar a equacionar adoptar Lisboa como sua morada.

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Numa noite de músicas imperdíveis, o alinhamento revelou-se praticamente perfeito, no qual não faltaram os grandes temas de Gal como “Passarinho”, “Cara e bocas”, “Minha voz minha vida” e “Folhetim”, mas também “Vaca Profana”, “Sua estupidez”, “Tigresa”, “Coração Vagabundo” ou “Baby”,  entre outros.

O público gostou, aplaudiu, e não a deixou abandonar o Campo Pequeno sem um “encore” em que Gal trouxe temas particularmente queridos dos portugueses como “Gabriela” e “Dia de domingo”. Ultrapassado mais este momento, tudo indicava que estaríamos perante o final, mas o público, ávido e sedento por mais, não deixou que assim fosse, obrigando a um segundo “encore” que trouxe ao palco “India” e uma “Casa Portuguesa”, em homenagem a Amália.

Em muitas canções, na verdade quase todas, as letras rapidamente foram apropriadas pelo público que as cantou acompanhando Gal Costa, ela que foi habituada por sua mãe, Mariah Costa Penna, a ouvir música clássica. Isso mesmo, aliás, foi relatado um dia pela mãe da cantora brasileira segundo a qual, enquanto estava grávida passava horas a ouvir música clássica, como num ritual, com a intenção de que esse procedimento influísse na gestação e fizesse que a criança que estava por nascer fosse, de alguma forma, uma pessoa musical. Ao que parece o ritual funcionou em pleno e Gal Costa, sem dúvida uma “pessoa musical”, encanto nas duas noites em Lisboa e na terceira noite entretanto cumprida no Porto.

Rendidos à qualidade de Gal Costa, só lhe podemos desejar que os seus “50 anos” se prolonguem por muito, e que continue a cantar com a qualidade que a caracteriza fazendo-o por muitos mais anos.

texto: Ana Cristina Augusto

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