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Num minuto Gyokeres deu o empate ao Sporting (2-2) e roubou triunfo ao FC Porto

Depois do FC Porto ter ido para o intervalo do clássico entre dragões e leões, da 31ª jornada da I Liga, a vencer por 2-0, o Sporting voltou ao jogo para o segundo tempo já com Gyokeres e, em apenas um minuto, o sueco marcou por duas vezes e garantiu o empate para o Sporting, deitando sobre as hostes portistas um verdadeiro balde de água fria que arrefeceu o entusiasmo no Estádio do Dragão no primeiro dia da nova realidade para o clube da Invicta.

Com o novo presidente eleito do FC Porto ainda na bancada no seu lugar de associado — Andé Villas-Boas recusou o convite que foi endereçado por Pinto da Costa para assistir ao jogo já a partir da tribuna presidencial —, a equipa da casa entrou melhor no jogo, conseguiu dois golos no primeiro tempo e foi para o intervalo justamente na frente do marcador.

Só que Gyokeres, entrado ao intervalo, aproveitou da melhor forma um instante de menor concentração da equipa portista e aos 87′ e 88′ minutos, assinou dois golos na baliza de Diogo Costa e garantiu o empate para a turma de Alvalade, impedindo o FC Porto de vencer no primeiro dia da nova realidade dos azuis-e-brancos.

Supresas começaram no “jogo dos bancos”

Desde logo, à partida para este jogo, os dois treinadores começavam por inovar, apresentando algumas surpresas nas suas equipas que viriam de algum modo a ser determinantes. Do lado do FC Porto, com João Mário lesionado e com Pepe de fora por opção, Sérgio Conceição apresentou um onze com Diogo Costa na baliza, Martim Fernandes como lateral direito, um “miúdo” da equipa B que assim garantiu a sua estreia na formação principal do FC Porto e logo num clássico, Zé Pedro e Otávio Ataíde como centrais e Wendell no corredor lateral esquerdo, surgindo depois Alan Varela e Nico Gonzales, mas também Chico Conceição, Pepê e Galeno nas costas de Evanilson.

Do outro lado, Ruben Amorim também resolvia inovar, ele que não pôde contar com Matheus Reis, lesionado, adaptando Gonçalo Inácio ao lugar de lateral esquerdo com a missão de fazer todo o corredor, numa equipa sem Viktor Gyokeres que começou o jogo no banco de suplentes. Alinharam assim Franco Israel, ainda Diomande, Coates e St. Juste enquanto centrais, Geny Catamo, Daniel Bragança, Hujlmand e Gonçalo Inácio na linha média, sobrando para as acções ofensivas Trincão, Paulinho e Pedro Gonçalves.

Com estes dois esquemas tácticos das equipas sobre o bem tratado relvado do Estádio do Dragão, num jogo dirigido por Nuno Almeida, e com Artur Soares Dias na condição de VAR a partir da Cidade do Futebol, o FC Porto entrou assumidamente a mandar no jogo, mais pressionante, procurando instalar-se no meio-campo defensivo do Sporting, com os leões a acusarem algumas dificuldades em segurar as explosões de Francisco Conceição e as desmarcações de Evanilson, nomeadamente pelo lado esquerdo da defesa onde Diomande acusava algum nervosismo e lentidão nos processos defensivos perante o “baixinho” Chico Conceição.

Evanilson abriu a contagem aos 7 minutos

O nervosismo de Diomande contagiou por instantes os seus companheiros e logo ao minuto 07′ apareceu Evanilson a tirar o melhor partido de um erro crasso de Franco Israel quando este tentava repor a bola nos seus companheiros da defesa. O avançado brasileiro do FC Porto surgiu livre de marcação junto à marca da grande penalidade para bater a bola para o fundo da baliza dos leões, permitindo ao FC Porto abrir o marcador e colocar-se em vantagem neste jogo, com um golo que acabou assim por dar corpo no resultado à melhor forma como a equipa portista entrou no jogo.

O Sporting tardou em reagir e o FC Porto manteve-se no comando das operações, num jogo em que podia mesmo ter conseguido outro resultado à passagem do minuto 21′, depois de um lance imprudente de Diomande em que atinge o rosto de Evanilson dentro da grande-área leonina já perto da linha de fundo. O árbitro nada assinalou, o VAR também optou por não intervir, mas a verdade é que o jogador do FC Porto ficou a sangrar do rosto depois de um lance que, não sendo de modo nenhum uma agressão, resultou de uma imprudência do jogador do Sporting que acabou mesmo por atingir o seu adversário com o braço no rosto, configurando o motivo para o assinalar de uma grande penalidade para além da exibição de um cartão amarelo que ficou por mostrar a Diomande. Curiosamente, o mesmo jogador do Sporting voltou a atingir Evanilson no rosto, agora sobre a linha de meio-campo, acabando aqui Nuno Almeida por assinalar a falta e mostrando, agora sim, um amarelo que ficara ausente no lance ocorrido antes dentro da área do Sporting.

Certo é que o FC Porto continuava a dominar, Francisco Conceição, principalmente este, mas também Galeno no outro flanco, criavam grandes dores de cabeça ao sector defensivo dos leões, mas a concretização do segundo golo surgiu a partir de uma iniciativa de um herói improvável do FC Porto. O “miúdo” Martim, ao minuto 41′, depois de receber a bola à saída da grande-área do FC Porto, arrancou por ali fora, foi quase até à área do Sporting, pelo caminho ainda sentou no relvado Morten Hujlmand, e já sem oposição fez uma assistência para Pepê que teve assim missão facilitada para fazer o segundo golo no jogo, conferindo plena justiça ao resultado por aquilo que se verificara no jogo até então.

Minuto 42′ homenageou os 42 anos de presidência de Pinto da Costa

Logo depois do segundo golo portista, ao minuto 42′, os adeptos irromperam com um enorme aplauso dirigido à tribuna presidencial dirigido a Pinto da Costa, pelos 42 anos que esteve à frente dos destinos do FC Porto, acabando pouco depois as duas equipas por regressar aos balneários com a turma portista a vencer sem contestação por 2-0.

Sérgio Conceição via coroada de êxito a sua estratégia, ao contrário de Rúben Amorim que teria que mudar alguma coisa por forma a poder correr atrás do prejuízo, precisando de um golo para reentrar no jogo para depois poder pensar e empatar e, quem sabe, dar a cambalhota no marcador.

Para o segundo tempo, enquanto Sérgio Conceição adoptava a máxima segundo a qual “em equipa que ganha não se mexe”, Rúben Amorim apostava então em Viktor Giokeres, tirando Daniel Bragança e fazendo com isso recuar no terreno Pedro Gonçalves que passou a surgir mais perto de Hujlmand.

E a verdade é que o jogo passou a estar mais equilibrado, mas faltava ainda assim capacidade de explosão ao ataque leonino, com o sueco Gyokeres por vezes demasiado “perdido” entre a linha defensiva do FC Porto.

Foi assim preciso esperar por mais algumas alterações nas duas equipas a partir do banco e suplentes para permitir que o jogo ganhasse outro rumo e, concretamente, outro resultado. Ao minuto 50′, St. Juste deu o seu lugar a Eduardo Quaresma para acautelar o facto do central neerlandês poder ver um cartão amarelo que, sendo o segundo, poderia deixar os leões em inferioridade numérica, e à passagem do minuto 61′ foi a vez de Paulinho e Diomande darem os seus lugares a Morita e Nuno Santos.

Gonçalo Inácio recuava para central, Pedro Gonçalves voltava a jogar mais adiantado, agora com os leões a apresentarem no “miolo” Morita e Hulmand, e Nuno Santos vinha dar outra acutilância ao jogo do Sporting pelo corredor lateral esquerdo.

Do lado do FC Porto saíram Francisco Conceição e Evanilson, ao minuto 79′, sendo chamados ao jogo Romário Baró e Taremi, mas a verdade é que o FC Porto perdeu força e e capacidade de improviso, permitindo maior e melhor resposta ao Sporting perante um jogo mais previsível dos dragões.

Gyokeres mudou tudo num jogo com dois golos de rajada

Acabou assim por ser com este cenário que Vikotor Gyokeres, no espaço de um minuto, fez a diferença com dois golos a repor a igualdade no jogo. Ao minuto 87′, Nuno Santos recebeu um passe longo de Inácio para o corredor esquerdo, cruzou para o interior da área e Gyokeres, de cabeça, fez o primeiro golo leonino, fixando então o 2-1 no marcador.

Logo depois, num lance algo estranho já que o FC Porto nem sequer segurou a bola após a reposição desta em jogo no meio-campo, o Sporting voltou ao ataque depois de recuperar a bola no meio-campo defensivo da equipa da casa, Edwards conseguiu espaço na grande-área portista, cruzou para o segundo poste e Gyokeres só teve que encostar para o 2-2, no tal verdadeiro balde de água fria sobre o entusiasmo dos adeptos do FC Porto.

Até ao final o jogo prosseguiu sem grandes oportundidades, Edwards e Galeno ainda se envolveram numa discussão em que os dois jogadores encostaram as cabeças, acabando o extremo do FC Porto por cair no relvado, com o inglês do Sporting a ver o cartão vermelho direto, isto enquanto Galeno viu apenas a cartolina amarela quando na verdade a provocação havia sido mútua pelo que ambos deveriam ter tido igual sanção disciplinar.

O jogo terminou pouco depois, FC Porto e Sporting empataram a dois golos, com o líder do campeonato, o Sporting, porventura a adiar com este empate durante mais uma semana a conquista do campeonato, isto porque fica agora a cinco pontos de distância do Benfica quando faltam três jornadas do campeonato para cumprir.

Continua tudo em aberto no campeonato da I Liga

Já o FC Porto, numa altura em que foca como objectivo a disputa e eventual conquista da Taça de Portugal na final a disputar frente ao Sporting, sendo a Taça de Portugal o único título ainda ao alcance dos pupilos de Sérgio Conceição, terá ainda que acautelar a efectiva conquista do terceiro lugar do campeonato da I Liga, isto quando surge no terceiro lugar com 63 pontos, mais um do que o Sporting de Braga e mais três do que o Vitória de Guimarães.

Na reta final do campeonato, quando se aproximam de ficar definidas todas as classificações quer no topo quer no fundo da tabela da I Liga, qualquer ponto pode ser determinante pelo que não haverá lugar para facilidades nem qualquer erro de percurso que pode significar o queimar de uma época de trabalho.

Fica para a história o empate entre FC Porto e Sporting em mais um clássico, um jogo que marcou de algum modo a “despedida” de Jorge Nuno Pinto da Costa de um lugar que ocupou durante 42 anos no grémio portista, e em que ficou ainda mais evidente o papel de Viktor Gyokeres como o número 9 do Sporting, o verdadeiro ponta-de-lança que será certamente o melhor goleador no presente campeonato.

Gyokeres usa nas costas o número 9, outrora usado por Manuel Fernandes, eterno capitão do Sporting que luta contra um grave problema de saúde e que neste jogo mereceu mesmo uma homenagem por parte da equipa leonina, que entrou em campo com todos os jogadores a envergarem a camisola 9 do mítico capitão sportinguista.

Ruben Amorim, no final do jogo, para o LusoNotícias, revelou que Manuel Fernandes ficou muito feliz por ver a equipa entrar em campo com a sua camisola, mas sempre foi dizendo o técnico leonino que Gyokeres ainda está muito longe do nível de Manuel Fernandes. Afinal, o avançado nascido em Sarilhos Pequenos agora com 72 anos conquistou com mérito o lugar de “lenda” do Sporting, encontrando-se sem dúvida em outro patamar.

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texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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