Carlos Leitão lançou esta sexta-feira o tema que criou para celebrar os 50 anos que passam sobre o 25 de abril - “Nas Mãos de Abril”.

A propósito deste tema, Carlos Leitão resume a realidade de um tema que cruza com a realidade do País prometido em Abril e concretizado agora, 50 anos depois.

“"Nas mãos de abril", mais do que a data, é na responsabilidade individual e coletiva que assenta. Aos 44 anos, pouco do que me foi prometido se construiu — destaca Carlos Leitão —, os mais velhos sonharam e acreditaram, mas a verdade que o País criou para si mesmo está longe de me satisfazer, e pouco conta a culpa nesta fase, prefiro ver a luz lá à frente, onde o caminho se faz.”

“Deste modo — acrescenta —, se sempre o foi, está hoje, mais do que nunca, nas minhas mãos e nas de cada um de nós, alimentar sofregamente uma liberdade que nunca estará consumada, pertence a todos os dias, a todas e a todos os que ainda sonham abril.”

“E mesmo com a neblina densa e bafienta que se vai alinhando cada vez mais perto, abril tem, aos 50 anos, a prova máxima da sua maturidade. Se ainda não a tiver, então cada uma das nossas mãos terá em si o privilégio maior de o ajudar a crescer, ou a nascer.”

NAS MÃOS DE ABRIL

Cresci com a promessa e a quimera
De ver nascer Abril todos os dias,
Em cada liberdade, a primavera:
O sonho desvairado em mãos vazias.

Sarar todas as feridas por fechar
Perdão a quem o usou mas não o fez
Não é abril que tem de se calar,
Se as mãos estão mais vazias outra vez.

Se aqui nasci,
Foi para morar no mês de abril a vida inteira
Poder nascer da liberdade aventureira
E ser o colo de um país que não nasceu.

Se moro em ti,
É p’ra cantar com a garganta arrebatada
O sonho antigo que amanhã de madrugada
Volta a nascer nas mesmas mãos onde cresceu.

Se agora a neblina vem chegando
Que nasça então abril uma vez mais!
As minhas mãos abertas vou cantando
E todos nos meus sonhos são iguais.

E todas as razões mais provocantes
Perdem toda a razão que possam ter.
Se abril não renascer dos seus amantes
Não há razão de ser p’ra quem vier.

O videoclipe foi dado a conhecer esta sexta-feira e o áudio estará disponível em todas as plataformas digitais, no próximo dia 24.

LusoCultura
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