Se houve jogo em que facilmente se justifica o cliché na afirmação de que o Benfica entrou com o pé direito na corrida para a fase de grupos da Liga dos Campeões, o encontro desta terça-feira concluído com a vitória do Benfica sobre o Midtjylland por 4-1 ajusta-se na perfeição, pela forma como os “encarnados” conseguiram colocar desde já um pé, porventura o direito, no play-off a jogar depois desta terceira eliminatória, e que será disputado com o vencedor do embate entre os ucranianos do Dínamo de Kiev, que eliminaram o Fenerbahçe de Jorge Jesus, e os austríacos do Sturm Graz.

Os quatro golos foram marcados, os dois primeiros, por Gonçalo Ramos, de cabeça, depois de cruzamentos de David Neres com o pé direito, ele que até é esquerdino, um terceiro golo por Enzo Fernandez com um remate de pé direito, de primeira, na resposta a um pontapé de canto batido por João Mário, e o quarto golo de novo por Gonçalo Ramos, de pé direito, num remate efectuado já na pequena área da baliza do Midtjylland. Curiosamente, o conjunto dinamarquês acabou por fazer o seu golo de honra, na transformação de uma grande penalidade por Pione Sisto, marcado “à Panenka”... com o pé direito.

Para este jogo, o técnico alemão Roger Schmidt confirmou todas as expectativas e apresentou o “onze” esperado por todos, repetindo a equipa titular que tinha apresentado frente ao Newcastle na Eusébio Cup, com Vlachodimos na baliza, um quarteto defensivo formado por Gilberto, Morato, Otamendi e Grimaldo, ainda Florentino e Enzo Fernandéz no meio-campo, David Neres e João Mário nas alas e Rafa a jogar nas costas de Gonçalo Ramos. Já do lado do Midtjylland, o agora técnico Henrik Jensen apresentou uma equipa com um inicial esquema em 3-4-3, com Olafsson na baliza, Dalsgaard, Sviatchenko e Juninho como o trio de centrais, Dyhr, Andersson, Sorensen e Charles na linha média, e na frente Dreyer, Kaba e Sisto.

Foi aliás com aquele esquema que o conjunto dinamarquês procurou surpreender o Benfica, entrando a pressionar alto e procurando jogar bem perto da baliza de Vlachodimos. Só que ultrapassados os primeiros dez minutos, o Benfica assentou o seu jogo e encostou o adversário à sua zona mais recuada, passando o Midtjylland a jogar apenas com Sisto na frente, nm esquema que passou a um 5-4-1.

Pressionar, ganhar a bola e rematar para golo

O Benfica acelerou o seu jogo, passou a pressionar muito alto, impedindo a equipa dinamarquesa de sair com bola, e rapidamente começaram a surgir as oportunidade de golo, concretizada a primeira ao minuto 16, no primeiro golo do jogo e por Gonçalo Ramos. David Neres, pelo lado direito, ultrapassou com qualidade o defesa contrário, cruzou a contento com o já referido pé direito e Ramos, antecipando-se ao jogador que lhe estava a fazer marcação, cabeceou a contento para o golo de abertura neste jogo.

O segundo golo, aliás, aconteceria quase a papel químico do primeiro, uma vez mais com David Neres a cruzar do lado direito para o coração da área do Midtjylland onde voltou a aparecer Gonçalo Ramos a cabecear para o golo.

O Benfica tinha por esta altura o jogo na mão, e bastava deixar correr o jogo com aquele ritmo para os golos voltarem a aparecer, tal como aconteceu ainda antes do intervalo, com um verdadeiro “golaço” apontado pelo argentino Enzo Fernandéz. Pontapé de canto batido por João Mário para fora da grande área em zona frontal à baliza onde Enzo apareceu a “encher o pé” (direito) num remate de primeira para o terceiro golo dos “encarnados”. O jogo chegava assim ao intervalo com os adeptos do Benfica naturalmente satisfeitos, e ainda assim a pedirem mais um golo.

Reentrando após o intervalo com o mesmo “onze”, o Benfica acabaria por conseguir o quarto golo, e uma vez mais por Gonçalo Ramos, que assinou deste modo o “hat-trick”, com um remate por entre as pernas do guarda-redes Olafsson depois de uma assistência de Rafa.

Ramos ficava assim na história deste jogo pelos três golos apontados, com David Neres a assumir-se como o verdadeiro “motor” da equipa benfiquista. quanto ao LusoNotícias o “homem do jogo”, numa partida em que elementos como Gilberto, Enzo, Florentino, João Mário ou Rafa assinaram excelentes exibições.

Roger Schmidt ainda teve tempo para fazer entrar Yaremchuck e Henrique Araújo por troca com Rafa e Gonçalo Ramos, colocando o Benfica a jogar com dois avançados posicionais e já não apenas um, num jogo em que foi ainda chamado à equipa Chiquinho ao minuto 87' por troca com Neres.

O Benfica justificou por completo este triunfo, poderia ter feito mais golos e tem tudo para conseguir viajar até à Dinamarca no próximo dia 09 e trazer de lá a resolução positiva desta terceira eliminatória para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Fica agora a incógnita quanto ao futuro de Gonçalo Ramos, de quem se diz que pode estar no mercado, bem assim como a possível chegada de elementos para a linha média da equipa ou para a baliza, mas isso são claramente contas de outro rosário próprias da época de transferências que irá prosseguir até ao final do corrente mês de Agosto.

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte
Pin It