A 14 de Setembro de 2015 dois enormes detectores localizados na Luisiana e em Washington registaram um “chilreio” invulgar e que abriu uma nova era da astrofísica observacional. E que “som” era esse? Esse ténue eco era o resultado da fusão, há mais de mil milhões de anos, de dois enormes buracos negros. Cada um com uma massa cerca de trinta vezes superior ao sol. O “choque” lançou ondas gravitacionais pela primeira vez detectadas nesse ano, mas que tinham sido previstas, quase um século antes, por Albert Einstein na sua teoria da relatividade geral.

Mas o que é um buraco negro?

FOTO Luis Monteiro 1
Luís Monteiro (Médico)

Simplificando, um buraco negro é uma região do espaço que atrai matéria e da qual não é possível escapar. São todos iguais? De facto, não são todos semelhantes.

Sabemos que o mais “simples” é denominado de buraco de Shwarzchild e no seu centro existe um núcleo de matéria infinitamente densa. E um dado interessante é que os buracos negros afinal… não são mesmo negros. Stephen Hawking mostrou através da teoria quântica que que eles emitem radiação, ainda que temperatura muito baixa. E como os podemos “ver”? Terão alguma utilidade? São raros ou comuns?

Estas e outras questões são exploradas na recente obra “O Pequeno livro dos Buracos Negros” da colecção “Ciência Aberta” da editora Gradiva.

Os autores Steven Gubser e Frans Pretorius sintetizam numa escrita rigorosa, mas acessível para o leitor médio, quase tudo o que sabemos sobre buracos negros.

O livro começa por descrever a relatividade restrita e geral antes de avançar para os buracos negros de Schwarzchild, passando pelos buracos em rotação e em colisão e terminando na descrição da sua termodinâmica.

As abundantes figuras e os exemplos mais práticos auxiliam a leitura deste tema fascinante.

O epílogo é uma imperdível carta dirigida a Einstein. Nesse pequeno texto os cientistas elogiam o mestre e citam outros físicos proeminentes como John Wheeler, Roy Kerr e Stephen Hawking.

Com muito humor também o informam que, afinal, a teoria quântica está certa.

Não se deixe enganar pelo título. Este é um grande livro de divulgação científica.

 

APImprensa

 
Pin It