Com o Estádio da Luz a apresentar de novo uma moldura humana impressionante, com mais de 60 mil adeptos nas bancadas, e todos com um estado de espírito marcado pela confiança permitida por uma equipa que chegou a este jogo com um histórico de 19 jogos sem conhecer o sabor da derrota, o Benfica recebeu esta terça-feira a Juventus em jogo da quinta ronda da fase de grupos da Liga dos Campeões da UEFA, um jogo em que uma vitória dos encarnados daria desde logo o apuramento para os oitavos de final da milionária competição da UEFA. O Benfica venceu mesmo a Juventus (4-3), mas não deixou de tremer quando, em dois minutos, a Juve mudou o resultado de 4-1 para o final 4-3...

Roger Schmidt, o treinador do Benfica, igual a si próprio, apresentou um “onze” sem surpresas, com Vlachodimos na baliza, o quarteto defensivo do costume, com Bah, António Silva, Otamendi e Grimaldo, ainda Florentino e Enzo no miolo, e João Mário, Rafa e Aursnes como trio de apoio ao avançado Gonçalo Ramos. Já do lado da Juventus, o treinador Massimiliano Allegri, que à partida para este encontro afirmou que estava na hora do Benfica perder o seu primeiro jogo da época, optou por um “onze” formado por Szczesny entre os postes, Danilo, Bonucci e Gatti como um trio de centrais, ainda Cuadrado como líbero,  Locatelli, McKennie, Rabiot e Kostic na linha média e lá na frente Kean e Vlahovic. David Neres ficava no banco no lado do Benfica, onde aparecia o brasileiro Lucas Veríssimo depois da lesão que o afastou dos relvados há vários meses, enquanto que do lado da Juve ficavam de fora opções como o ex-FCP Alex Sandro, mas também Milik, Rugani ou Fagioli.

Foi em embiente de euforia que o Benfica partiu para este jogo, o qual
poderia determinar desde logo, tal como aconteceu, o apuramento
dos encarnados aos oitavos de final da Liga dos Campeões

Rafa e João Mário, o primeiro a marcar e o segundo a assistir (e a marcar uma grande penalidade), foram as figuras em destaque na equipa do Benfica frente à Juventus

A marcar e a assistir, João Mário foi um dos melhores elementos do Benfica
em campo e não fossem os dois golos de Rafa e poderia mesmo
ter sido escolhido como “Men of the match”

E se a confiança era evidente no público que encheu o Estádio da Luz, a forma como o Benfica apareceu em campo mostrou que havia todo o espaço para tal sentimento, acabando o Benfica por chegar ao intervalo a vencer por 3-1 num jogo em que poderia mesmo ter construído uma vantagem maior se todas as oportunidades tivessem sido concretizadas. João Mário a assistir, Rafa a marcar e o central António Silva a surpreender e a assinar também a ficha do jogo como marcador eram figuras em destaque no Benfica onde a nota artística era elevada face a um adversário que, mesmo sendo um clube histórico do futebol da UEFA, foi claramente vergado ao poder do Benfica durante os primeiros 45 minutos, como aliás viriam a sê-lo de novo na primeira metade do segundo tempo, quando dilataram a vantagem para 4-1.

António Silva, de cabeça, na resposta a um cruzamento do lado esquerdo por Enzo Fernandez depois de um canto curto para o Benfica, abriu a contagem aos 17 minutos, permitindo ao jovem central do Benfica festejar ao melhor estilo dos lances vitoriosos da Playstation. A Juventus ainda fez o empate, aos 24 minutos, num lance complicado em que apenas o VAR conseguiu garantir a posição regular de Vlahovic no momento em que bateu a bola na pequena área para o golo.

O Benfica não se ressentiu minimamente do golo da Juve e quatro minutos depois voltava a colocar-se em vantagem, com um golo de João Mário marcado de grande penalidade depois de Cuadrado ter cortado a bola com a mão dentro da grande área da turma transalpina. Mais tarde, ao minuto 35' altura para o terceiro golo do Benfica, por Rafa, naquele que foi o lance que por si só justificava o preço do bilhete do jogo tal foi a forma como o golo foi conseguido com o calcanhar de Rafa já na pequena área da Juventus.

Vlahovic ainda fez o primeiro golo da Juventus no jogo, no primeiro tempo, ao minuto 24',
mas isso não condicionou em nada o domínio do Benfica na partida

O terceiro golo do Benfica neste jogo, apontado por Rafa de calcanhar, justificou por si só o preço do bilhete tal foi a nota artística do lance

Rafa esteve no 8 e no 80 deste jogo, no topo ao marcar golos de compêndio
mas, terá que o reconhecer, no fundo ao falhar golos de baliza à sua mercê

João Mário cruzou para a frente da baliza onde Rafa apareceu em velocidade para, com um toque de qualidade, fazer o golo de calcanhar e levar o Benfica para os balneários, ao intervalo, com um tranquilo 3-1. Num jogo em que o selecionador Fernando Santos marcava presença para acompanhar a exibição de alguns jogadores que poderão estar presentes no Mundial do Qatar, era afinal Rafa, ele que anunciou a sua renúncia à Turma das Quinas, que surgia como o elemento mais desequilibrador na equipa do Benfica.

Ao intervalo a tranquilidade entre a equipa do Benfica era total e com o arranque do jogo tudo parecia continuar da mesma forma, com o Benfica a dominar e a marcar, uma vez mais pelo suspeito do costume. Rafa, o pequeno endiabrado jogador, ao minuto 50', respondeu em velocidade a um passe em profundidade de Grimaldo e, com um toque em habilidade, tirou a bola do alcance do guarda-redes da Juve, Szczesny, que nada pôde fazer para evitar o quarto golo do Benfica. A partir daqui, os encarnados poderiam continuar a dilatar a sua vantagem, o ambiente de festa nas bancadas do Estádio da Luz era constante e até as falhas claras dos jogadores às ordens de Roger Schmidt eram perdoadas e mesmo aplaudidas.

Ao minuto 61, num lance entre Rafa, Enzo e Aursnes ficou por marcar um golo que parecia certo pafra o Benfica, e que Szczesny evitou com uma defesa de recurso. Depois, ao minuto 75' e já depois de Allegri ter mexido na equipa da Juve, Rafa voltou a desperdiçar uma oportunidade de golo flagrante ao atirar a bola para as nuves quando tinha a baliza à sua mercê.

E como tanto garante aquela velha máxima do futebol segundo a qual quem não marca sofre, a Juve chegou mesmo ao golo ao minuto 77 quando o polaco Milik apareceu a responder a contento a um cruzamento de Iling-Junior a partir do corredor direito do ataque da Juventus. Este jogador, aliás, apareceu a dar outra velocidade ao flanco direito da equipa da Juventus, tirando partido do cansaço evidente de Bah, e pouco depois surgia mesmo no lance que chegou a calar as bancadas da Luz. Veloz nos corredores, Illing-Junior cruzou para a baliza, Vlachodimos defendeu para a frente, António Silva ainda aparece a impedir um primeiro toque de McKennie que daria o golo mas este insistiu e fez mesmo o 4-3, resultado improvável tal era o domínio dos encarnados no jogo até aquela altura.

O Benfica revelou-se uma máquina extremamente bem oleada
frente a uma Juve que, a espaços, foi incapaz
de segurar a velocidade dos encarnados

A Juventus ainda correu atrás do prejuízo e esteve à beira de surpreender no resultado final (4-3) num jogo em que o domínio do Benfica nunca esteve em causa

Szczesny, o experiente guarda-redes da Juventus, foi o primeiro
a aplaudir o público no Estádio da Luz pelo espectáculo
que foi permitido neste jogo também nas bancadas

Certo é que a equipa do Benfica acusou aquele golo e o público ainda temeu que a Juve pudesse mesmo, pelo menos, chegar ao empate na partida. Roger Schmidt, finalmente, mexeu na equipa do Benfica e chamou a jogo Gilberto para o lugar de Bah, mas era a Juventus quem prometia dominar o último quarto de hora do jogo. Curiosamente o Benfica ainda teve uma derradeira oportunidade flagrante para o quinto golo, no último lance de Rafa enquanto esteve em jogo, ao minuto 86', quando atirou a bola ao poste da baliza da Juve, mas o resultado não viria a sofrar mais alterações e o Benfica fez a festa da vitória por 4-3, um resultado afinal enganador tal foi a forma como os encarnados dominaram a partida.

O Benfica manteve-se assim no topo do grupo H da Liga dos Campeões, lado a lado com o Paris Saint-Germain, e com quem poderá agora lutar pelo primeiro lugar do grupo. Já a Juventus de Allegri, não foi ainda esta equipa transalpina a conseguir impor a primeira derrota aos encarnados e poderá mesmo ter que pontuar frente ao PSG se quiser garantir o apuramento para a Liga Europa, ao mesmo tempo em que o Maccabi Haifa irá estar a jogar o último jogo desta fase de grupos com o Benficana próxima semana. Entretanto, e até lá, o Benfica regressa à actividade no futebol caseiro, recebendo no Estádio da Luz no próximo sábado a formação do Desportivo de Chaves a partir das 18 horas.

Rafa foi eleito pela UEFA como “Men of the match” e, já na sala de imprensa,
Massimiliano Allegri reconheceu o valor do Benfica
que ainda não perdeu esta época após 20 jogos oficiais

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte
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